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terça-feira, 16/06/2026

Ter gato em casa não piora a asma em crianças, diz estudo

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Acácio Moraes
Folhapress

Mesmo sabendo que os pelos dos animais de estimação podem causar alergias relacionadas à asma, morar com um gato não necessariamente piora a condição de crianças e adolescentes em curto prazo. Isso foi concluído em um estudo sueco que acompanhou mais de 30 mil jovens por um ano.

Publicado na revista Frontiers in Allergy, o estudo revela que crianças que convivem com gatos têm uma gravidade da asma e frequência das crises semelhantes às que não têm gatos em casa.

Os pesquisadores explicam que evitar ter um gato não elimina a exposição aos alérgenos, pois pelos e proteínas dos felinos podem estar espalhados em roupas e ambientes como escolas e transportes públicos.

A asma é uma doença inflamatória crônica dos pulmões. Segundo Maria do Socorro Cardoso, da Universidade Federal do Amazonas, a asma ocorre quando os brônquios inflamam e se estreitam, dificultando a passagem do ar. Os sintomas comuns são falta de ar, chiado no peito, tosse constante e cansaço ao se exercitar.

O estudo investigou crianças e adolescentes entre 4 e 17 anos com asma ou alergias respiratórias, usando registros nacionais da Suécia entre 2023 e 2024. Cerca de 9% das famílias tinham pelo menos um gato.

A análise mostrou que a presença do gato em casa não se relaciona com agravamento da asma. As taxas de asma moderada ou grave e das crises foram próximas entre os grupos com e sem gatos.

Um ponto importante é que o registro de gatos na Suécia é recente, então algumas famílias podem não estar registradas corretamente, possivelmente influenciando o resultado.

Além dos animais, outros fatores que desencadeiam crises de asma são vírus, poeira, mofo, fumaça de cigarro e poluição. Carlos de Carvalho, da Universidade de São Paulo, destaca que o uso de cigarros eletrônicos por adolescentes pode piorar a inflamação dos pulmões.

Um estudo iraniano mostrou que o uso de vapes está ligado a um aumento das crises de asma em comparação com cigarros tradicionais.

Segundo Laís Nicoliello, da Universidade Federal de Minas Gerais, o diagnóstico precoce é essencial. Tosse persistente e cansaço nas atividades precisam de avaliação médica.

Em 2024, a Global Initiative for Asthma recomendou critérios para diagnosticar asma em crianças pequenas, baseados em sintomas como chiado e tosse persistente, e melhora após uso de remédios para asma.

Além do diagnóstico, controlar o ambiente, evitando fumaça e poluentes, é fundamental para prevenir crises.

O tratamento medicamentoso mais eficaz envolve o uso diário de corticoides inalados para reduzir a inflamação, com broncodilatadores usados em caso de crise.

A médica ressalta que o uso correto da ‘bombinha’ não causa dependência e ajuda a melhorar a qualidade de vida.

Outro desafio é garantir que os pacientes continuem o tratamento, mesmo quando os sintomas melhoram, para evitar agravamento.

Os principais medicamentos para asma estão disponíveis gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde nas unidades básicas e no programa Farmácia Popular.

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