JULIANA MACHADO
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)
Muitas pessoas têm dificuldade para controlar o dinheiro e não sabem exatamente para onde ele está indo. O problema não está nas despesas grandes, como aluguel e contas de luz, mas sim nos pequenos gastos do dia a dia, como aplicativos de transporte, assinaturas que não são usadas ou compras parceladas no cartão de crédito.
A especialista em finanças Myrian Lund trabalha com pessoas que não conseguem fechar as contas no final do mês e muitas vezes nem sabem o motivo. O primeiro passo para mudar essa situação é anotar todos os gastos com base nos extratos bancários.
Esse controle pode ser feito manualmente, usando uma planilha ou aplicativos que ajudam a organizar as despesas. Ferramentas com inteligência artificial também são úteis para acompanhar os gastos.
Não basta apenas verificar as saídas pelo aplicativo do banco; é importante saber quanto dinheiro está entrando e saindo realmente. Comece anotando os gastos fixos, que são as contas que precisam ser pagas obrigatoriamente, como contas básicas e impostos.
Depois, organize as despesas diárias, como comida fora de casa, transporte e lazer. Muitas vezes o dinheiro some nos pequenos gastos, como explica Myrian.
Um dos maiores cuidados deve ser com o cartão de crédito, que pode causar problemas nas finanças se os parcelamentos não forem anotados corretamente. Se não controlados, esses gastos podem acumular e causar dívidas maiores do que o esperado.
Myrian aconselha que cada parcela de uma compra seja registrada como uma despesa do mês correspondente para evitar surpresas no orçamento.
Quando as dívidas são muitas, o planejador financeiro Cristiano Corrêa recomenda priorizar o pagamento daquelas com juros mais altos. Por exemplo, mensalidades escolares costumam ter juros limitados por lei, mas o cartão de crédito pode ter uma taxa extremamente alta.
Em abril de 2026, o juros rotativo do cartão chegou a mais de 400% ao ano. Desde 2024 há regras para limitar essa dívida, mas o custo ainda é muito alto. O ideal é evitar pagar o valor mínimo e quitar o máximo possível para reduzir os juros.
Muitas famílias recorrem a empréstimos para pagar dívidas no cartão. Essa pode ser uma solução, mas tenha cuidado para não comprometer seu orçamento com uma nova dívida sem reajustar os gastos.
Myrian alerta para o consumo consciente: sempre questione se uma compra é um desejo ou uma necessidade, se está dentro do planejamento, e resista às tentações desnecessárias.
Outro conselho importante é ter apenas um cartão de crédito e estabelecer um limite que ajude a controlar os gastos, evitando dívidas maiores.
Em casos graves, algumas instituições trabalham com descontos para a quitação de dívidas, mas mesmo quitando, o histórico pode ficar registrado e afetar futuras análises de crédito.
Com organização e disciplina, é possível equilibrar as contas e aos poucos começar a guardar dinheiro assim que o salário cai, não o que sobra no final do mês.
Myrian recomenda tratar a economia como uma despesa fixa, definindo uma meta mensal e aplicando esse dinheiro em investimentos seguros, como CDBs ou títulos do Tesouro.
Na divisão das despesas mensais, Cristiano Corrêa sugere usar 40% para contas fixas, 30% para investimentos e 30% para gastos eventuais, mas ressalta que o mais importante é criar o hábito de gastar menos do que ganha.
Cristiano enfatiza que mesmo 1% de investimento já é um começo, e Myrian conclui que anotando os gastos e cortando o que não é necessário, muitas pessoas conseguem economizar até 30% logo nas primeiras tentativas.
