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quinta-feira, 18/06/2026

Durigan sugere revisar cálculo da inflação e manter meta de 3%

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, está aberto para discutir ajustes na forma de medir a inflação no Brasil, pois especialistas apontam que os índices atuais não refletem bem os preços reais.

Em entrevista ao podcast da Warren Investimentos, Durigan explicou que o modelo usado hoje considera mais peso para itens que perderam importância e menos para os que ganharam mais relevância recentemente.

Ele disse: “Nosso método atual dá peso para coisas que antes eram mais relevantes, mas hoje não são tanto, enquanto que serviços como assinatura de streaming e cloud têm mais importância agora do que tinham antigamente.”

A entrevista foi gravada na sexta-feira (12) e divulgada na segunda-feira (15).

Durigan também apoia melhorar o boletim Focus do Banco Central para torná-lo mais transparente.

O ministro destaca que não pretende mudar a meta de inflação de 3%, embora reconheça que esse sistema de meta contínua ainda não é totalmente compreendido pela população e especialistas.

Em maio, a inflação oficial do Brasil foi de 0,58%, menor que os 0,67% de abril, segundo o IBGE.

Apesar da queda, essa foi a maior inflação para maio em cinco anos, influenciada pelo preço dos alimentos e energia elétrica.

No acumulado dos últimos 12 meses até maio, o IPCA ficou em 4,72%, acima do limite da meta de inflação que é 4,5%, algo que não ocorria desde outubro do ano anterior.

Em maio, o vice-presidente Geraldo Alckmin comentou que o Brasil deveria considerar o modelo do Fed dos EUA para definir as medidas de inflação a seguir.

Ele afirmou: “O problema é a taxa de juros muito alta. Deveríamos olhar o modelo do Fed, que exclui energia e alimentação para medir a inflação usada na definição dos juros.”

O Fed usa o núcleo do PCE para isso, que não leva em conta itens voláteis como esses.

Juros e política fiscal

Durigan comentou que a alta dos juros no Brasil está ligada à instabilidade do câmbio e ao baixo nível de poupança, fatores que complicam a política monetária. O Copom do Banco Central fará reunião esta semana para decidir a taxa de juros.

Ele disse: “A poupança é importante e a volatilidade do mercado cambial faz o Brasil pagar um prêmio de risco para manter estabilidade.”

Durigan também afirmou que a política fiscal influencia a monetária e ressaltou a importância de controlar gastos obrigatórios para permitir mais investimentos.

Ele reforçou que o governo continuará negociando para evitar que o Congresso aprove projetos que possam aumentar o gasto público, a inflação, os impostos e os juros.

Se aprovadas, o governo considera vetar as medidas e acionar o STF para impedir impactos negativos.

A equipe econômica estima que propostas em andamento no Congresso podem custar R$ 111 bilhões por ano, incluindo regras para renegociação de dívidas rurais, aumento do teto do Simples Nacional e elevação de salários mínimos de categorias.

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