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quarta-feira, 17/06/2026

teste rápido pode identificar risco de Alzheimer antes dos sintomas

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Um novo exame rápido para detectar o risco de Alzheimer começa a ser oferecido no Brasil e promete mudar a forma como a doença é descoberta. Essa tecnologia, já usada em países como Alemanha, Itália, China e Austrália, identifica sinais da doença a partir de uma amostra de urina, com resultado em cerca de 10 minutos.

O exame funciona como um filtro inicial para ajudar a decidir quais pessoas devem fazer exames médicos mais detalhados, mesmo antes de aparecerem os primeiros sinais de problemas de memória.

Hoje, a maioria dos diagnósticos de Alzheimer acontece em fases avançadas, quando a perda de memória e mudanças no comportamento já afetam muito a vida da pessoa. Esse atraso dificulta o tratamento e traz grandes consequências para pacientes, famílias e o sistema de saúde.

Estima-se que cerca de 2 milhões de brasileiros tenham algum tipo de demência, e o Alzheimer representa de 60% a 70% desses casos. Com o aumento da população idosa, esse número pode chegar a 5,7 milhões até 2050.

Pesquisas mostram que o processo que causa o Alzheimer pode começar décadas antes dos sintomas aparecerem. Por exemplo, o acúmulo da proteína beta-amiloide pode ocorrer até 30 anos antes da doença ser detectada.

É nesse momento inicial que o novo exame atua, identificando biomarcadores ligados à beta-amiloide para sinalizar o risco da doença cedo, permitindo acompanhamento antes que os sintomas se agravem.

Giuliano Araújo, CEO da Biocon Diagnósticos, responsável por aprovar o teste no Brasil, explica que a tecnologia não substitui o diagnóstico médico, mas abre uma porta de entrada mais simples para o processo.

“Exames como PET Scan, testes laboratoriais avançados e punção lombar são caros, invasivos e pouco acessíveis. Queremos oferecer uma alternativa rápida, sem invasão e com custo menor, facilitando a triagem”, diz.

Além disso, o custo do novo teste, entre R$ 500 e R$ 600, é bem menor que os exames tradicionais que podem passar dos R$ 9 mil, tornando-o mais acessível.

Com essa triagem mais simples, o sistema de saúde pode organizar melhor o atendimento, direcionando exames complexos para os casos com maior risco.

Esse avanço aparece num momento em que globalmente há uma mudança na forma de lidar com demências. Um relatório da Comissão Lancet mostra que cerca de 45% dos casos podem ser evitados ou retardados cuidando da saúde ao longo da vida, controlando pressão alta, diabetes, sedentário, tabagismo, isolamento social e baixa escolaridade.

Identificar o risco cedo permite intervenções como acompanhamento neurológico, exercícios para o cérebro, mudanças no estilo de vida e controle de outras doenças.

O exame foi desenvolvido com base em estudos internacionais com mais de 4 mil pessoas, mostrando sensibilidade inicial de cerca de 75%, com melhorias esperadas.

A ciência por trás do teste vem de centros internacionais de referência em neurociência, incluindo pesquisas que confirmam a hipótese amiloide, uma das principais causas do Alzheimer.

Em dezembro de 2025, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o lecanemabe, medicamento para pacientes em estágio inicial da doença, com comprometimento leve e presença de patologia amiloide confirmada.

Assim, identificar o risco cedo ajuda a encaminhar os pacientes para tratamentos adequados e acompanhamento especializado.

Mais que um avanço tecnológico, o teste traz um debate sobre o modelo de saúde no Brasil, que ainda foca mais no tratamento de doenças instaladas do que na prevenção e diagnóstico precoce.

Com o envelhecimento da população, é cada vez mais importante repensar isso. Antecipar o risco do Alzheimer pode ajudar pessoas e políticas públicas a focar mais na qualidade de vida, autonomia e envelhecimento saudável.

Nos próximos anos, o tema deve crescer com novas tecnologias que ampliam as chances de prevenção e mudam a forma como o país enfrenta doenças neurodegenerativas.

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