ARTUR BÚRIGO
FOLHAPRESS
A polícia em Minas Gerais está investigando se um médico foi negligente, resultando na morte de uma mulher grávida e do bebê que ela esperava, no hospital São Francisco, em Três Marias.
O obstetra Higo Moreira Fonseca, de 42 anos, é suspeito de não ter prestado o atendimento necessário à Bárbara Luana Fernandes Aleixo, de 29 anos, que estava grávida de sete meses. Ela chegou ao hospital na noite de 8 de junho com pressão alta e sintomas de pré-eclâmpsia.
Tanto Bárbara quanto o bebê morreram durante a madrugada após várias paradas cardiorrespiratórias.
De acordo com a investigação, o médico estava de plantão de sobreaviso e foi chamado pela equipe médica durante a noite, mas só apareceu no hospital nas primeiras horas da manhã, quando a paciente já estava em situação crítica.
O médico chegou a ser preso em flagrante no dia seguinte porque teria tentado fugir durante a abordagem policial, mas foi liberado provisoriamente com medidas cautelares impostas pela Justiça.
A polícia apura se houve duplo homicídio doloso por omissão, quando a pessoa assume o risco de causar a morte ao não agir.
A defesa de Fonseca afirmou estar preocupada com informações incompletas e especulações. Ressalvou que o caso é complexo e que todas as circunstâncias serão analisadas cuidadosamente ao longo da investigação.
O hospital São Francisco foi contatado, mas não respondeu até a publicação deste texto.
O médico negou ter sido informado sobre uma emergência obstétrica e disse que os exames indicavam quadro clínico sem urgência relacionada à gravidez. Também negou desligar o telefone ou recusar chamadas.
Segundo seu depoimento, chegou ao hospital cerca de cinco minutos após ser chamado pelo diretor técnico, encontrando a paciente sem assistência adequada.
Bárbara chegou ao hospital por volta das 20h30 com pressão alta e exame alterado, indicativo de pré-eclâmpsia. A médica responsável acionou Fonseca às 22h08 para informar sobre o quadro, que foi avaliado à distância.
Fonseca respondeu que não havia alterações importantes relacionadas à gravidez e que os sintomas podiam estar ligados à ansiedade, sem se oferecer para avaliar a paciente pessoalmente.
Ele afirmou que a principal hipótese era um quadro não relacionado à gestação, como um possível surto psicótico.
A paciente ficou em observação durante a madrugada. Às 4h55 apresentou piora com letargia, mal-estar e palidez.
Às 5h, a médica voltou a informar Fonseca sobre a piora, mas ele manteve a opinião de que se tratava de quadro clínico, não obstétrico.
Às 5h17, o obstetra enviou mensagem em grupo de WhatsApp da equipe dizendo que gestantes com quadros clínicos sem sintomas obstétricos devem ser tratadas pela clínica médica.
A paciente sofreu parada cardiorrespiratória um minuto após entrar para monitoramento, foi reanimada, mas depois teve nova parada que resultou em óbito às 5h45.
Testemunhas disseram que houve sugestão para cesariana de emergência, mas Fonseca optou por não fazer o parto, alegando risco de sequelas graves para o bebê.
O diretor técnico afirmou que o contrato exigia que o médico estivesse no hospital em até 15 minutos após chamado.
Na prisão em flagrante, a autoridade policial afirmou que o médico tinha conhecimento dos riscos e aceitou o risco ao não ir ao hospital.
A defesa disse que a condição de sobreaviso é legal e diferente de plantão presencial, sendo usada em várias instituições.
O Ministério Público pediu prisão preventiva por risco de interferência em testemunhas, mas a Justiça aplicou medidas cautelares, proibindo o médico de acessar o hospital, contato com testemunhas e suspendendo seu trabalho na rede pública na área de obstetrícia.
