Nathalia Garcia
Brasília, DF (FolhaPress)
O Copom (Comitê de Política Monetária) decidiu na quarta-feira (17) diminuir a taxa básica de juros, a Selic, em 0,25 ponto percentual pela terceira vez consecutiva, reduzindo de 14,5% para 14,25% ao ano, mesmo diante de um cenário de inflação mais difícil.
A decisão, tomada por unanimidade pelo presidente Gabriel Galípolo e mais seis diretores, foi feita apesar da presença de dois membros ausentes no colegiado. Das oito reuniões previstas para o ano, metade já ocorreu com menos integrantes. O próximo encontro está marcado para os dias 4 e 5 de agosto.
No comunicado oficial, o comitê não definiu claramente as ações futuras, afirmando que o tamanho total do ciclo de corte na taxa de juros será decidido conforme novas informações, para garantir que a inflação se aproxime da meta estabelecida.
Desde março, quando a Selic estava em 15% ao ano, o Copom começou a baixar os juros gradualmente, com duas reduções anteriores de 0,25 ponto percentual cada. Em abril, o comitê indicou a intenção de continuar ajustando a taxa, porém sem confirmar o ritmo e a extensão dessas mudanças.
Para esta decisão, a maioria do mercado financeiro esperava essa redução, com 31 das 34 instituições consultadas pela agência Bloomberg prevendo o corte e apenas três apostando na manutenção da taxa em 14,5% ao ano.
A diferença entre as taxas de juros do Brasil e dos Estados Unidos está em 10,5 pontos percentuais. Mais cedo, o Federal Reserve (Fed), banco central americano, decidiu manter as taxas entre 3,5% e 3,75%, na primeira reunião sob liderança de Kevin Warsh, apesar da pressão do presidente Donald Trump para uma redução mais agressiva.
Recentemente, com um acordo preliminar entre Estados Unidos e Irã para reabrir o Estreito de Ormuz, o preço do petróleo caiu abaixo de US$ 80 pela primeira vez desde março, ainda que o cenário permaneça instável devido a possíveis retomadas de bombardeios no Oriente Médio.
Além das tensões geopolíticas, houve estresse nos juros futuros e piora nas expectativas de inflação nas últimas semanas.
O Copom atualizou sua estimativa de inflação para este ano, que passou de 4,6% para 5,2%. Para 2027, a previsão subiu de 3,5% para 3,7%.
Para ajustar o impacto dos juros na economia, o comitê focou na inflação esperada para o último trimestre de 2027, optando por uma condução mais moderada dos juros, de modo a garantir que a inflação alcance a meta no primeiro trimestre de 2028.
Esse período passará a ser o alvo principal do Copom a partir da próxima reunião em agosto. Caso mantivesse os juros no nível necessário para alcançar a meta ao fim de 2027, a inflação poderia cair para abaixo da meta no começo de 2028.
O colegiado ressaltou que suas previsões estão sujeitas a incertezas maiores do que o normal, combinadas com choques de oferta, justificando assim um ajuste parcial sobre os efeitos futuros nos preços.
A meta central de inflação do Banco Central é de 3%, com uma margem de tolerância de mais ou menos 1,5 ponto percentual. A meta é considerada descumprida quando a inflação acumulada fica fora desse intervalo (de 1,5% a 4,5%) por seis meses consecutivos.
Na semana passada, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou que o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) acelerou para 4,72% nos últimos 12 meses até maio, ultrapassando o teto da meta de inflação do BC, algo que não ocorria desde outubro do ano anterior.
Segundo o último boletim Focus, as projeções para o IPCA se distanciaram da meta, inclusive para prazos mais longos. Para 2024, a previsão chegou a 5,3%. Para 2027, a estimativa subiu para 4,10% e para 2028, para 3,68%.
