O Comitê de Política Monetária (Copom) atualizou a previsão da inflação acumulada para os próximos 12 meses até o final de 2027, trazendo o número de 3,5% para 3,7%, que é o período mais relevante para a política econômica atualmente.
Esta previsão está acima da meta central, que é de 3%. Isso indica que a atual trajetória dos juros, apresentada no relatório Focus, não é suficiente para garantir que a inflação alcance a meta dentro dos seis trimestres previstos pelo Banco Central (BC). Atualmente, as medianas indicam que a taxa Selic deverá estar em 13,75% no final de 2024 e cair para 12,0% até o fim de 2027.
Na última reunião, o Copom decidiu reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual, passando de 14,50% para 14,25%, uma decisão unânime que seguiu a expectativa da maioria das instituições consultadas.
O colegiado explicou que esta redução é parte do ajuste contínuo da política monetária, visando desacelerar a economia de forma controlada.
A manutenção da taxa básica de juros em nível elevado tem mostrado resultados na desaceleração da atividade econômica. O Copom afirmou que a intensidade total do ciclo de ajustes será definida conforme novas informações para garantir que a inflação volte à meta.
Desde a reunião anterior, a cotação do dólar usada nas projeções subiu de R$ 5,00 para R$ 5,10. As estimativas para o IPCA em 2026 passaram de 4,86% para 5,30%, e para 2027, de 4,0% para 4,10%.
Além disso, o Copom ajustou a inflação prevista para preços livres em 2026, de 4,5% para 5,3%, e para 2027, de 3,5% para 3,7%. Para preços administrados, a previsão foi revisada levemente para 4,7% em 2024 e 3,9% em 2025.
Essas previsões consideram a evolução da taxa de câmbio conforme a paridade do poder de compra, a trajetória da Selic indicada no relatório Focus e o preço do petróleo seguindo a curva futura por seis meses, aumentando 2% ao ano depois.
Juros reais
Mesmo com a redução da Selic para 14,25%, o Brasil continua com a maior taxa de juros reais do mundo, que é de 9,67%, segundo o ranking MoneYou/Lev Intelligence. Em seguida aparecem Rússia (9,31%), Turquia (5,57%), México (5,10%) e África do Sul (3,74%).
O Banco Central estima que a taxa real neutra de juros do Brasil — que não acelera nem freia a economia — seja de 5,0%.
