Kethlen Eduarda Hermisofe de Souza, conhecida como a Ruiva do Job, foi presa pela Polícia Civil do Distrito Federal durante a Operação Eiron. Ela é acusada de fazer parte de uma organização criminosa que atuava em Samambaia Norte.
As investigações mostraram que Kethlen levava uma vida dupla, misturando programas sexuais com o tráfico de drogas e associação para o crime. Ela chamava atenção ao exibir grandes quantias de dinheiro e armas em redes sociais, o que ajudou a polícia a monitorar suas ações. Atualmente, ela está em prisão preventiva juntamente com outras 13 pessoas detidas na operação que desmantelou parte do crime organizado no DF.
Estratégias da organização
Inspirado no grupo carioca Terceiro Comando Puro (TCP), o grupo criminoso financiava festas comunitárias e distribuía cestas básicas, brinquedos e bolos em ocasiões especiais como Dia das Mães e Dia das Crianças. Essa prática buscava garantir o silêncio da comunidade e criar uma rede de proteção contra denúncias ao tráfico.
Um investigador comentou que o grupo tentava substituir a presença do Estado por essa falsa ajuda social. A presença da Estrela de Davi em paredes da região sugere uma ligação ideológica com o TCP e uma tentativa de replicar o modelo do Complexo de Israel no Rio de Janeiro.
O tráfico era feito de forma moderna, utilizando aplicativos para receber pedidos e entregas feitas como delivery, com drogas camufladas em embalagens de fast-food. Variavam desde crack e cocaína até versões mais refinadas como skunk, dry e ice.
Justiça paralela e violência
Além da fachada solidária, o grupo mantinha um tribunal do crime para punir quem desobedecesse ou abandonasse a organização. Um dos investigados foi encontrado morto no Lago Paranoá, caso ainda em investigação, mas atribuído à violência do grupo.
Na operação, foram cumpridos 39 mandados judiciais. Os envolvidos agora enfrentam acusações que podem resultar em mais de 35 anos de prisão, incluindo tráfico, organização criminosa armada e lavagem de dinheiro.
