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sexta-feira, 26/06/2026

Queda no abandono do ensino médio atinge menor índice desde 2007

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Paulo Saldaña e Isabela Palhares
Brasília, DF (FolhaPress)

Os dados do Censo Escolar de 2025 mostram uma melhora significativa na taxa de abandono do ensino médio em escolas públicas. No último ano, apenas 2,5% dos estudantes deixaram de frequentar essa etapa, o menor percentual desde 2007, quando o Ministério da Educação (MEC) começou a registrar esses números.

A redução no abandono escolar foi de 34% em comparação a 2023, antes do início do programa Pé-de-Meia, que oferece bolsas para ajudar os estudantes do ensino médio a continuarem na escola. Esse programa é uma das principais iniciativas do governo Lula (PT) e possui um orçamento bilionário, sendo um ponto chave na campanha para a reeleição do presidente.

Os dados foram oficialmente divulgados pelo MEC na sexta-feira (26). Além do abandono, os índices de aprovação e reprovação também melhoraram tanto no ensino médio quanto no fundamental.

O abandono escolar ocorre quando o aluno para de frequentar a escola durante o ano letivo, diferentemente da evasão, que é quando o aluno não retorna ao ano seguinte.

Apesar de não ser possível afirmar que toda a melhora nas taxas do ensino médio seja causada pelo programa de bolsas, os avanços são evidentes desde o início dos pagamentos. Estudos mais aprofundados ainda são necessários para confirmar uma relação direta.

Comparando com 2022, último ano do governo Jair Bolsonaro (PL), a queda no abandono do ensino médio foi de 61,5%. Em 2022, a taxa era 5,6%, afetada pelas consequências da pandemia, que causou fechamento de escolas e interrupção nos estudos de muitos jovens.

Em nota à imprensa, o ministro da Educação, Leonardo Barchini, destacou que os resultados são fruto de várias ações do governo, incluindo melhor coordenação com os estados, aumento das matrículas em tempo integral, e maior financiamento geral, além de recursos para programas de alimentação e transporte escolar.

“Tudo isso cria um conjunto de melhorias que temos visto nos últimos quatro anos, mas eu diria que o Pé-de-Meia é o carro-chefe dessa política”, afirmou.

A reprovação no ensino médio público também caiu, diminuindo 44% entre 2023 e 2025, indo de 5,7% para 3,2%.

As redes estaduais respondem por 8 em cada 10 alunos do ensino médio no Brasil. A taxa de distorção idade-série, que indica alunos com atraso escolar de dois ou mais anos, caiu de 24,3% em 2022 para 17,6% em 2025, conforme divulgado pelo MEC.

O abandono no ensino fundamental também continuou a melhorar, ficando em 0,2% nos anos iniciais e 1% nos anos finais, contra 0,3% e 1,4% respectivamente em 2023.

Quedas expressivas na reprovação chamam atenção, especialmente nos anos finais do fundamental, com redução de 67% de 2023 a 2025.

Em 2025, a reprovação nos anos finais do fundamental foi de 3,3%, contra 5,4% em 2023. Muitas redes adotam políticas que praticamente garantem a aprovação, especialmente nas séries avaliadas no Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica).

O Ideb é medido a cada dois anos para o 5º e 9º anos do ensino fundamental, e para o 3º ano do ensino médio, considerando provas nacionais e taxas de aprovação e reprovação — menos reprovações contribuem para um Ideb melhor.

No ano passado, a reprovação no 6º ano foi 4,2%, no 7º 3,9%, no 8º 3%, e no 9º ano apenas 2%.

Programa é destaque no governo Lula

O programa Pé-de-Meia oferece bolsas mensais e uma poupança aos alunos, que só pode ser sacada ao final do ano, com valor adicional para quem faz o Enem. Começou em 2024 para famílias beneficiárias do Bolsa Família, depois foi ampliado para Educação de Jovens e Adultos (EJA) e para todos inscritos no CadÚnico.

O custo anual do programa gira em torno de R$ 12 bilhões. Inicialmente, o valor estava fora do orçamento oficial, mas o Tribunal de Contas da União exigiu sua inclusão, o que gerou pressão fiscal.

O programa responde por cerca de dois terços do orçamento discricionário do MEC, impactando recursos de outras políticas prioritárias, como alfabetização e ensino em tempo integral.

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