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sexta-feira, 26/06/2026

Seguradoras se preparam para aumento de indenizações devido ao El Niño

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GABRIEL GAMA
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

O fenômeno El Niño já está fazendo as seguradoras projetarem o impacto que ele terá e organizarem-se para um possível aumento de pedidos de indenização. Previsões indicam que os prejuízos em seguros residenciais relacionados a chuvas devem crescer, enquanto a seca pode gerar mais acionamentos em seguros rurais.

El Niño é o aquecimento das águas do oceano Pacífico que altera o clima global. A NOAA dos Estados Unidos confirmou o início do fenômeno em 11 de maio, com 63% de chance de se tornar muito forte entre novembro e janeiro. O aumento da temperatura mundial deve intensificar esses efeitos.

“Os maiores impactos nos seguros residenciais e patrimoniais, como empresas e condomínios, devem ocorrer na primavera, principalmente entre setembro e outubro”, afirma Jarbas Medeiros, presidente da comissão de riscos patrimoniais da FenSeg (Federação Nacional de Seguros Gerais).

O prejuízo varia conforme cada seguradora e a preparação das áreas afetadas, mas é certo que o Sul do país deve ser o mais impactado por chuvas fortes, enquanto o Norte e Centro-Oeste devem sofrer com a seca, afetando o agronegócio.

“Sabemos que podem ocorrer eventos mais graves em algumas regiões, e as seguradoras já estão monitorando e se organizando para atender os clientes nesses casos”, diz Medeiros.

Em 2021, menos de 1% das casas no Brasil tinham seguro contra danos causados por alagamentos. Apesar da procura ter aumentado após o desastre no Rio Grande do Sul em 2024, o número ainda é baixo.

Sain’t Clair Lima, diretor de produtos da Bradesco Seguros, comenta que entre 4% e 6% das apólices residenciais da empresa cobrem inundações, com uma cobertura maior no Sul, entre 6% e 7%.

“Se as previsões se confirmarem, o número de sinistros deve crescer em pelo menos dois dígitos”, explica Lima. Sinistros são os casos em que os segurados solicitam indenização.

Medeiros, que também é diretor da Porto Seguro, diz que só 3% das apólices residenciais da empresa envolvem inundações. Para vendavais, a cobertura sobe para 50% e para danos elétricos, 80%.

Atualmente, dez seguradoras oferecem cobertura para alagamentos, contra apenas três durante o desastre no Rio Grande do Sul.

“Embora seja uma cobertura difícil de precificar, o mercado busca ampliar essa oferta para garantir proteção contra eventos extremos”, afirma Medeiros.

Sinistros em condomínios e empresas também devem aumentar, porém a cobertura contra alagamentos nesses segmentos é inferior a 5%.

Medeiros também destaca que 29% da receita de seguros residenciais da Porto Seguro vem de coberturas para eventos climáticos, mas 48% das indenizações pagas são por esses eventos, superando furtos e roubos.

“É claro que esses seguros trazem riscos, pois há mais pagamentos do que arrecadações, mas os principais prejuízos vêm do clima e não da criminalidade”, comenta ele.

Adilson Lavrador, diretor executivo da Tokio Marine, destaca que o El Niño pode impactar praticamente todos os tipos de seguro, especialmente patrimoniais, automóvel, agrícola e também o seguro de vida em casos de eventos extremos.

No setor agrícola, as seguradoras registraram queda de 7% no valor do prêmio no primeiro trimestre de 2026 em comparação com o mesmo período de 2025.

Além disso, a área protegida pelo seguro diminuiu para 3,2 milhões de hectares em 2025, menos da metade dos 7,1 milhões no ano anterior.

“As seguradoras acompanham o El Niño de perto e planejam as vendas para evitar exposição excessiva”, afirma Daniel Nascimento, presidente da comissão de seguro rural da FenSeg. Ele ressalta que o desafio é fazer com que os produtores contratem o seguro antes de sofrer os impactos.

Lima da Bradesco Seguros alerta que as perdas agrícolas não serão totalmente cobertas pelos seguros: “Embora o seguro ajude a recompor financeiramente, há preocupação com todo o sistema, pois a falta de alimentos pode gerar inflação”.

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