Quatro estados brasileiros registraram em 2025 uma taxa de aprovação quase total dos estudantes do ensino médio nas escolas públicas estaduais. Os estados do Piauí, Pará, Mato Grosso e Espírito Santo obtiveram taxas de aprovação de cerca de 99% nessa etapa.
Segundo dados do Censo Escolar 2025 divulgados pelo Ministério da Educação, a média nacional das redes estaduais está em 94,3%, a maior desde 2020, quando as reprovações foram suspensas por causa da pandemia.
A maioria dos estudantes do ensino médio público está matriculada em escolas estaduais, totalizando cerca de 6,04 milhões, o que representa 95,4% do total. O restante está em escolas federais e municipais.
Essas taxas elevadas podem influenciar o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), que combina aprovação escolar com o desempenho em provas de português e matemática.
No Piauí, governado por Rafael Fonteles (PT), 99,5% dos aproximadamente 103,3 mil alunos foram aprovados. Apenas 103 estudantes foram reprovados e 415 desistiram dos estudos.
O Pará, sob a gestão de Helder Barbalho (MDB), teve a segunda maior taxa do país, com 99,3% dos estudantes aprovados. Dos mais de 300 mil matriculados, só 600 foram reprovados, todos no último ano do ensino médio, pois não houve reprovação nos dois primeiros anos. Cerca de 1.500 alunos abandonaram os estudos.
Mato Grosso, comandado por Mauro Mendes (União Brasil), registrou 99,2% de aprovação entre mais de 117 mil estudantes. Nenhum aluno abandonou os estudos nos dois primeiros anos, mas 117 pararam de frequentar no terceiro ano.
No Espírito Santo, na gestão de Ricardo Casagrande (PSB), 98,8% dos cerca de 102 mil alunos da rede estadual do ensino médio foram aprovados. Aproximadamente 700 alunos foram reprovados e 500 desistiram de continuar os estudos.
Em 2023, o Pará adotou o modelo de progressão continuada, segundo o qual o estudante não é reprovado a cada ano, mas somente ao final do ciclo do ensino médio, o que levou à ausência de reprovações nos primeiros dois anos. O Piauí também passou a aplicar este modelo no ano passado. Outros estados utilizam essa estratégia para diminuir a evasão escolar.
Esse modelo de aprovação é controverso, pois aplicar aprovação automática pode esconder estudantes com baixo desempenho e risco de abandonar a escola, dificultando a implementação de medidas para reverter a evasão.
Especialistas destacam que o crescimento rápido das taxas de aprovação pode não refletir a verdadeira melhora na aprendizagem, mas sim o efeito de políticas que facilitam a aprovação para melhorar indicadores educacionais como o Ideb.
Estudos indicam que a reprovação não garante aprendizagem melhor e aumenta o risco do aluno abandonar a escola. Por isso, a aprovação contínua sem critérios rigorosos pode mascarar problemas reais no sistema educacional.
