NICOLA PAMPLONA
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS)
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) continua investigando bancos e membros do conselho da Americanas, alvos da Operação Disclosure realizada nesta quinta-feira (25). A investigação diz respeito à fraude contábil da empresa varejista, que está em andamento há mais de três anos.
Até o momento, apenas um processo resultou em multa: o ex-diretor financeiro João Guerra Duarte Neto foi multado em R$ 340 mil por não divulgar informações importantes sobre a crise.
O inquérito que apura a conduta dos bancos e administradores ainda está em fase inicial, sendo uma investigação preliminar antes de abrir um processo formal.
Segundo a CVM, há indícios de irregularidades envolvendo bancos, tanto nas operações de risco quanto na transparência dessas operações para as auditorias.
A CVM não divulga detalhes dos inquéritos ou os nomes dos investigados. Entre os citados na investigação desta quinta-feira estão Beto Sicupira, um dos principais acionistas, e Paulo Alberto Lemann, ex-membro do conselho da Americanas e filho de outro acionista principal, Jorge Paulo Lemann.
A LTS, holding das famílias Sicupira, Lemann e Telles, declarou que os principais acionistas foram pegos de surpresa com a operação.
O processo mais avançado é contra o ex-presidente da Americanas, Miguel Gutierrez, e outras 29 pessoas, por possíveis irregularidades na contabilidade da empresa. Esse processo está na fase de citação dos acusados e coleta de defesas, com última atualização em janeiro.
Esses ex-dirigentes são acusados de manipular preços e apresentar informações financeiras falsas para beneficiar o valor das ações, além de não cumprir deveres de lealdade e cuidado com os investidores.
A CVM também tem outros dois processos em andamento sobre uso de informação privilegiada e a atuação da consultoria KPMG, ambos em fase inicial, sem datas para julgamento.
Há um processo ainda não sancionador que analisa a atuação da consultoria PwC e três inquéritos que investigam bancos, membros do conselho e uso de informações privilegiadas por terceiros.
A CVM encerrou 30 processos relacionados à fraude na Americanas, por falta de provas ou porque o caso já estava sendo tratado em outro procedimento, além de outros encerramentos por motivos processuais.
Nos últimos meses, a CVM teve dificuldades para julgar casos, devido à falta de integrantes em seu colegiado, mas recentemente recebeu dois novos diretores, incluindo o novo presidente Otto Lobo e Igor Muniz.
Em 2025, o número de julgamentos caiu e a lista de processos pendentes aumentou, refletindo a instabilidade na composição da CVM.
