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quarta-feira, 10/06/2026

Promotoria acusa Deolane, Marcola e outros 4 por lavagem de dinheiro do PCC

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Em Brasília

TULIO KRUSE
FOLHAPRESS

O Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), ligado ao Ministério Público de São Paulo, apresentou uma denúncia contra a influenciadora Deolane Bezerra, o preso Marco Willian Herbas Camacho – conhecido como Marcola, líder do PCC – e outras quatro pessoas. Eles são acusados de crimes envolvendo organização criminosa e lavagem de dinheiro.

A denúncia faz parte da Operação Vértix, que investigou como uma empresa de transporte de fachada era usada para lavar dinheiro do Primeiro Comando da Capital. A ação levou à prisão de Deolane e de Everton de Souza, suspeito de ser o operador financeiro do esquema.

Além de Marcola, seu irmão Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior e dois sobrinhos, Alexsander Ribeiro e Paloma Sanches, também foram denunciados.

Durante a investigação, tanto os advogados de Marcola quanto a defesa de Deolane negaram as acusações. O advogado Bruno Ferullo, representante de Marcola, afirmou que ele não lidera a facção de dentro da prisão. Já a advogada Daniele Bezerra, irmã de Deolane, afirmou que as investigações são baseadas em suposições e perseguições antigas.

Começo da investigação

A investigação iniciou em 2019, quando bilhetes foram encontrados pela Polícia Penal em uma penitenciária na cidade de Presidente Venceslau, interior de São Paulo. Os bilhetes continham ordens internas do PCC, incluindo menções a ações violentas contra agentes públicos.

Um dos bilhetes mencionava uma “mulher da transportadora” que teria passado informações sobre endereços de agentes públicos que seriam alvos.

Os investigadores descobriram que essa mulher estava ligada a uma empresa de transporte em Presidente Venceslau, usada para lavar dinheiro. Deolane teria aberto 35 empresas no mesmo endereço, todas fictícias, para dificultar o rastreamento do dinheiro.

Valores movimentados e controle

A transportadora, que embora esteja em nome do casal Ciro e Elidiane, foi criada pelo PCC e é controlada por Marcola e Alejandro. De acordo com a investigação, a empresa movimentou mais de 20 milhões de reais, valor muito superior às receitas declaradas.

O casal Ciro e Elidiane já foram condenados e estão foragidos, possivelmente na Bolívia, de acordo com a polícia.

O líder da facção, Marcola, dava as ordens, planejava estratégias e decidia a divisão dos lucros da transportadora. Essas instruções eram passadas por meio de terceiros. Seu irmão Alejandro dirigia a empresa e tomava decisões como a compra de caminhões.

Além disso, Paloma Camacho recebia ordens do pai durante visitas no sistema prisional e encaminhava as informações para Ciro. Ela também gerenciava o dinheiro que era destinado ao pai e ajudava a dividir e transferir os valores.

O irmão dela, Leonardo Camacho, também recebia parte dos lucros, até 30%, conforme ordem de Marcola.

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