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quarta-feira, 20/05/2026

Presença do pai ajuda a diminuir violência contra crianças

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A participação ativa dos pais na criação dos filhos e o reconhecimento legal da paternidade estão ligados à diminuição dos casos de violência contra crianças e adolescentes no Brasil. Um relatório do Instituto Promundo chamado Relatório das Paternidades Brasileiras apresenta um novo índice para medir esse envolvimento dos pais nos estados brasileiros.

O estudo mostra que estados com níveis mais altos nesse índice têm menos casos de mortes violentas de menores de 18 anos. Santa Catarina e São Paulo estão entre os estados com os menores índices de violência contra jovens, com menos de cinco mortes por 100 mil habitantes.

Por outro lado, estados como Bahia, Ceará, Pernambuco e Espírito Santo têm taxas mais altas de violência. A Bahia lidera com cerca de 25 mortes por 100 mil crianças e adolescentes, seguida do Ceará, com aproximadamente 18 mortes por 100 mil habitantes.

Dados do UNICEF e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública indicam que quanto maior o índice de envolvimento paterno, menor é a violência letal contra crianças e jovens, embora outros fatores sociais e de segurança também influenciem esses números.

O índice de desenvolvimento da paternidade (IDP) avalia quatro pontos principais: divisão das tarefas domésticas, registros de nascimento sem o nome do pai, participação dos homens no pré-natal e a proporção de famílias lideradas por mulheres.

A pesquisa revelou que ainda existe uma grande diferença na divisão das tarefas de casa, com as mulheres dedicando mais do que o dobro do tempo em relação aos homens nessas atividades.

No ranking do IDP, Santa Catarina ocupa o primeiro lugar, seguida por Paraná e Rio Grande do Sul. Sergipe, Bahia e Maranhão aparecem com os piores resultados.

O estudo também destaca situações específicas, como a do Amapá, que tem boa divisão das tarefas domésticas, mas muitos registros de nascimentos sem o nome do pai.

Participação durante a amamentação

A pesquisa mostra que o envolvimento do pai desde a gestação também está relacionado ao aumento da amamentação e da vacinação infantil.

A Estratégia Pré-Natal do Parceiro, do Ministério da Saúde, incentiva a participação dos homens na gravidez, parto e primeiros anos da criança.

Marcus Renato, médico e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, destaca que mais apoio dos pais na amamentação pode salvar muitas crianças, pois a mulher não amamenta sozinha, mas precisa de uma rede de suporte incluindo o pai.

O relatório recomenda ampliar políticas públicas que incentivem a paternidade ativa, como fortalecer a licença-paternidade, realizar campanhas de conscientização, oferecer apoio às famílias e estimular a presença dos pais no dia a dia dos filhos.

O Instituto Promundo aponta que o envolvimento dos pais contribui para reduzir desigualdades de gênero e melhorar as condições de vida e desenvolvimento das crianças e adolescentes no país.

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