A Polícia Federal (PF) rejeitou a proposta de delação premiada apresentada pelo Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, que está preso preventivamente na operação Compliance Zero.
De acordo com os investigadores, a colaboração apresentada continha omissões importantes e tentativas de proteger pessoas influentes em Brasília, supostamente envolvidas nas fraudes financeiras investigadas.
Os anexos entregues pela defesa foram considerados insuficientes e não úteis para o avanço das investigações conduzidas pela PF e pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
Transferência de cela
O impasse na delação resultou em mudanças na situação prisional de Vorcaro. Ele foi transferido para uma cela comum na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, onde está detido desde março. Anteriormente, estava em uma sala especial, a mesma usada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro durante sua detenção.
Aliados relataram que a nova cela tem estrutura precária e condições inferiores às unidades prisionais anteriores, como a Penitenciária da Papuda e a Penitenciária Federal de Brasília.
Além da transferência, a PF limitou o acesso dos advogados ao banqueiro, permitindo visitas somente duas vezes ao dia, por 30 minutos cada, sem instrumentos de trabalho. Antes, o acesso era livre das 9h às 17h.
Operação Compliance Zero e papel de Vorcaro
A Operação Compliance Zero investiga um esquema bilionário de fraudes financeiras, lavagem de dinheiro, corrupção e monitoramento ilegal relacionados ao Banco Master. Daniel Vorcaro é o principal alvo.
- 1ª fase, novembro de 2025: prisão de Vorcaro e outros executivos; apreensão de bens de luxo e dinheiro.
- 2ª fase, janeiro de 2026: investigação de familiares e aliados, bloqueio de R$ 5,7 bilhões em ativos.
- 3ª fase, março de 2026: nova prisão de Vorcaro; investigação de ameaças, corrupção e atuação de milícia privada.
- 4ª fase, abril de 2026: apuração de irregularidades no Banco Master e no BRB.
- 5ª fase, maio de 2026: investigação do senador Ciro Nogueira por supostos repasses do esquema.
- 6ª fase, maio de 2026: prisão de Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, e de policiais suspeitos de envolvimento.
Segundo a PF, Daniel Vorcaro seria o principal articulador das fraudes, lavagem de dinheiro e monitoramento ilegal de adversários e autoridades.
As mudanças ocorreram após autorização do ministro André Mendonça, relator no Supremo Tribunal Federal (STF), para que Vorcaro seguisse regras ordinárias da superintendência da PF. O endurecimento aconteceu devido ao desgaste nas negociações da delação, que indicavam omissões e proteção a figuras centrais no esquema.
