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sexta-feira, 17/07/2026

Pix: desculpas para tarifa não se sustentam, diz Galípolo do BC

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Brasília, 16 – O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta quinta-feira, 16, que os argumentos apresentados pelo governo dos Estados Unidos contra o Pix são apenas desculpas para tentar justificar a cobrança de tarifas sobre produtos brasileiros.

Segundo Galípolo, é claro que essa justificativa tenta criar uma razão para a imposição dessas tarifas, mas não faz sentido. Ele comparou a situação com a alegação de que implementar saneamento básico prejudicaria quem trabalha com caminhão pipa, o que não é verdade.

O presidente do BC destacou que, na verdade, após a chegada do Pix, o mercado de cartões de crédito aumentou em 150%. Quem perdeu espaço foram os cheques e o dinheiro em espécie, o que é positivo, já que esses meios têm custos altos para transação.

Na quarta-feira, o Escritório do Representante Comercial dos EUA confirmou a aplicação de uma tarifa de 25% sobre alguns produtos brasileiros, como punição por práticas comerciais consideradas injustas. Entre as acusações estão o comércio digital, serviços de pagamento eletrônico como o Pix, tarifas diferenciadas, proteção à propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e questões ambientais como o desmatamento ilegal.

Pix é reconhecido globalmente pelo FMI e BIS

Galípolo ressaltou que o Pix trouxe benefícios para toda a sociedade brasileira e é reconhecido internacionalmente, inclusive pelo Fundo Monetário Internacional e pelo Banco de Compensações Internacionais.

Ele afirmou que o Pix é vantajoso tanto para quem oferece quanto para quem usa o serviço, beneficiando os setores público e privado. O Banco Central já firmou acordos com mais de 47 bancos centrais para desenvolver sistemas parecidos com o Pix. Países como Estados Unidos, Europa, China, Índia e Singapura já implementaram ou estudam implementar sistemas de pagamento instantâneo.

Galípolo garantiu que o Banco Central continuará oferecendo o Pix como um serviço gratuito, seguro e instantâneo, além de trabalhar em melhorias técnicas em cooperação com outros bancos centrais.

Posição dos EUA sobre Pix é difícil de entender, diz presidente do BC

O presidente do Banco Central também comentou que é difícil entender a posição dos EUA, já que a infraestrutura do Pix é aberta a todos os participantes, promovendo concorrência.

Galípolo afirmou que ter uma infraestrutura pública e aberta para pagamentos é comum mundialmente e que o Brasil está na vanguarda da inclusão financeira e da competição no sistema financeiro. Ele destacou que os argumentos dos EUA para a tarifa poderiam ser motivos para manter a infraestrutura pública, uma vez que os custos caíram com a presença do Pix.

Ele disse ainda que essa situação é um exemplo claro de desculpas acumuladas para justificar a tarifa.

Além de Galípolo, participaram da coletiva o vice-presidente da República Geraldo Alckmin; os ministros Dario Durigan, Márcio Elias Rosa, Mauro Vieira e João Paulo Capobianco. A coletiva aconteceu na sede do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, em Brasília.

Estadão Conteúdo

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