MARCOS HERMANSON E NATHALIA GARCIA
FOLHAPRESS
O governo do presidente Lula (PT) comunicou nesta quinta-feira (16) que vai criar um programa para ajudar empresários prejudicados pela nova rodada de tarifas dos Estados Unidos.
Essa medida é uma resposta às tarifas de 25% que foram anunciadas pelo governo de Donald Trump e que devem começar a valer na próxima quarta-feira (22).
De acordo com a administração federal, o tarifaço atingirá 18% das exportações brasileiras para os EUA, o que corresponde a cerca de US$ 7,4 bilhões em 2024.
A notícia foi divulgada em entrevista que contou com a presença dos ministros Dario Durigan (Fazenda), Mauro Vieira (Relações Exteriores), Márcio Elias Rosa (Indústria, Comércio e Serviços) e João Paulo Capobianco (Meio Ambiente).
Também participaram o vice-presidente Geraldo Alckmin, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e a secretária nacional de Justiça, Maria Rosa Guimarães.
O governo dos EUA anunciou que aplicará novas tarifas de 25% sobre cerca de 4.000 produtos brasileiros.
O vice-presidente Geraldo Alckmin classificou a medida como “injusta e inadequada”, destacando que os EUA têm superávit comercial com o Brasil e que o sistema de pagamentos Pix não prejudicou as empresas de cartão de crédito.
Para o ministro da Fazenda, Dario Durigan, a ação representa uma interferência externa inadequada, e criticou a oposição por usar as tarifas como “muleta eleitoral”.
Ele anunciou que o governo fortalecerá a linha de crédito Brasil Soberano, destinada a exportadores afetados pelas tarifas e pela situação no Irã. Os ministros também apresentarão a proposta da Lei de Reciprocidade ao presidente Lula, que tomará a decisão final.
Em nota oficial divulgada no início da madrugada, o governo brasileiro condenou as novas tarifas americanas e informou que dará início aos procedimentos para ativar a Lei de Reciprocidade, que permite retaliar medidas comerciais injustas.
Segundo a Presidência da República, o dia 15 de julho de 2026 marcará negativamente as relações entre Brasil e EUA. A nota ressaltou que não há justificativa para medidas unilaterais contra o Brasil e que, nos últimos 15 anos, os EUA acumularam US$ 424,5 bilhões em superávit comercial com o país, conforme dados do próprio governo americano.
O governo afirmou ainda que não reconhece a validade das investigações feitas sem respaldo nas regras internacionais de comércio. Mesmo assim, o Brasil nunca abandonou a negociação, demonstrando que as acusações contra o Pix, a regulação de plataformas digitais e as críticas sobre o desmatamento são infundadas.
