A situação financeira das famílias no Distrito Federal ainda preocupa, pois a inadimplência está acima da média nacional. O problema não é a dificuldade em conseguir crédito, mas sim a dificuldade em pagar as dívidas.
Dados recentes mostram que metade das famílias endividadas no DF tem contas atrasadas, enquanto a média brasileira é menor, menos de 30%. Além disso, mais de 20% das famílias afirmam que não vão conseguir pagar suas dívidas no próximo mês, número maior que a média nacional de pouco mais de 12%.
O percentual de famílias com dívidas ficou estável em junho na comparação com maio, cerca de 79,7%, menor que a média do Brasil que está em 81,6%. Porém, o endividamento aumentou em relação ao ano anterior.
Mesmo com renda alta, as famílias do DF enfrentam dificuldades financeiras. A professora e pesquisadora em economia da PUC-SP, Cristina Helena Pinto de Mello, explica que o acesso ao crédito junto com o aumento dos preços está apertando o orçamento das famílias. Segundo ela, quem tem renda alta consegue crédito, mas com juros altos e variações nos preços, qualquer dificuldade pode levar ao atraso nos pagamentos e crescimento das dívidas.
Contas atrasadas
Em um ano, o número de famílias com dívidas no DF cresceu de 72% para quase 80%, representando mais de 840 mil famílias. Dessas, cerca de 15% se consideram muito endividadas, 29% estão moderadamente endividadas e mais de 35% têm dívidas pequenas.
Cristina Helena Pinto de Mello sugere algumas ações para melhorar a situação, como revisar o planejamento financeiro, cortar gastos desnecessários e renegociar dívidas com cuidado. Ela alerta para o perigo de aceitar novos créditos maiores para pagar dívidas antigas, o que pode levar a perder patrimônio e continuar endividado.
Acesso ao crédito
O cartão de crédito é o principal motivo das dívidas no DF, presente em mais de 83% das famílias endividadas, seguido pelo crédito pessoal, carnês, financiamento de veículos e imóvel. O uso do crédito rotativo, que tem juros altos, é comum para manter os gastos do dia a dia.
Cristina Helena Pinto de Mello destaca a importância do planejamento ao usar cartão de crédito para evitar uma bola de neve de dívidas. Ela recomenda guardar o dinheiro para pagar a fatura e, se possível, aplicar em poupança para aproveitar vantagens sem criar dívidas.
Outro ponto preocupante é a duração das dívidas. Metade das famílias inadimplentes tem contas vencidas há mais de 90 dias, e em média, estão com dívidas há mais de 8 meses, acima da média nacional de pouco mais de 7 meses. Isso mostra que o problema é estrutural e pode dificultar a recuperação financeira das famílias nos próximos meses.
