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sexta-feira, 17/07/2026

Deputado e vereador do Rio de Janeiro são acusados de fraude em licitações

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Em Brasília

BRUNA FANTTI
FOLHAPRESS

Um deputado estadual e um vereador da Baixada Fluminense foram denunciados pelo Ministério Público do Rio de Janeiro por suspeita de fazer parte de um grupo que comete fraudas em licitações e desvia dinheiro público de contratos para alimentação em escolas e hospitais.

Rafael Nobre (União Brasil), deputado na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, e Julio Ricardo dos Santos Henriques, conhecido como Magrão Nobre (União Brasil), vereador em São João de Meriti, são apontados pela Promotoria como os verdadeiros responsáveis por um grupo de empresas que simulava concorrência em licitações nas prefeituras de Magé e Japeri.

A denúncia, feita pelo procurador-geral de Justiça, Antônio José Campos Moreira, inclui outras oito pessoas e envolve crimes como organização criminosa, fraude em licitações, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro.

O advogado Rafael Faria, que defende o deputado, disse que Rafael Nobre nega qualquer envolvimento. Em nota, a defesa afirmou que as investigações são preliminares e que o deputado provará sua inocência.

No mesmo dia, o Tribunal de Justiça do Rio autorizou buscas em locais ligados aos investigados, incluindo o gabinete do deputado na Alerj e a Câmara de São João de Meriti.

Foram apreendidos R$ 21 mil na casa do deputado e R$ 45 mil na casa do vereador.

A defesa do vereador Magrão Nobre afirmou que está colaborando para esclarecer tudo e que ele agiu de forma correta, confiando na justiça.

A Assembleia Legislativa do Rio afirmou que acompanha o caso, reforçando o compromisso com a transparência e se colocando à disposição para ajudar nas investigações.

Segundo o Ministério Público, o esquema envolveu cerca de 45 contratos com prefeituras da Baixada Fluminense, totalizando R$ 357,9 milhões para fornecimento de alimentação em hospitais, escolas e secretarias.

O foco da ação é em três contratos suspeitos. As empresas envolvidas atuavam juntas para criar falsas concorrências nas licitações, usando sócios de fachada, documentos falsos e movimentações financeiras para esconder a origem do dinheiro.

A Promotoria pede que os acusados ressarçam ao menos R$ 357,9 milhões aos cofres públicos e que percam os mandatos.

As investigações apontam que o esquema começou em 2017, quando Rafael Nobre ainda era vereador em Nilópolis.

Um dos contratos suspeitos já tinha gerado reclamações em 2021, por atraso e má qualidade dos kits de alimentação escolar em Japeri. O Ministério Público já havia realizado buscas relacionadas a essa investigação no ano anterior.

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