SIMONE MACHADO
FOLHAPRESS
A febre maculosa, uma doença transmitida por carrapatos, causou a morte de 17 pessoas em diferentes regiões do estado de São Paulo nos primeiros sete meses de 2026, segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde.
As mortes aconteceram nas áreas de Piracicaba, Sorocaba e Campinas, com três casos em cada região; Santo André e São José dos Campos, com um caso em cada. A origem da infecção em outras situações ainda está sendo investigada.
A vítima mais recente foi o engenheiro civil Rubens Allan Bizarro, 37 anos, da cidade de Americana, que faleceu em 30 de junho no Hospital Municipal Dr. Waldemar Tebaldi. A Secretaria da Saúde confirmou oficialmente a causa da morte após análise do Instituto Adolfo Lutz.
O local exato onde ele foi infectado ainda é avaliado pelo Programa de Vigilância e Controle do Escorpião e Carrapato (PVCE).
Embora o número de mortes em 2026 seja menor que o registrado em 2025, quando foram 44, o índice preocupa devido à alta letalidade da doença. Até agora, São Paulo contabilizou 18 casos, com 17 mortes confirmadas.
Entre 2020 e 2025, foram registrados 489 casos e 244 mortes pela febre maculosa no estado.
O número real de casos em 2026 pode ser maior, dependendo da confirmação de suspeitas em várias regiões do interior. Na cidade de Americana, foram notificadas 22 ocorrências, com 16 descartadas, cinco em investigação e um óbito confirmado.
A Secretaria de Saúde orienta a população a evitar áreas de risco, como margens de rios, lagos e zonas com capivaras, principais hospedeiras do carrapato-estrela, transmissor da doença. O uso de roupas claras, inspeção do corpo a cada três horas e atenção a sintomas são recomendados para quem precisar frequentar esses locais.
Americana e a cidade de Araras, que também teve duas mortes e 25 casos em investigação, estão entre as regiões com mais registros. Em Araras, as vítimas eram duas crianças, um menino de 8 anos e uma menina de 9, que frequentavam a mesma escola.
A prefeitura local reforçou medidas de prevenção, como capacitação de profissionais de saúde para identificar a doença precocemente, campanhas educativas, reforço da sinalização em áreas de risco e monitoramento das capivaras.
A febre maculosa é causada por bactérias do gênero Rickettsia, transmitidas pela picada de carrapatos, como o carrapato-estrela. O diagnóstico é difícil porque os sintomas iniciais, como febre alta, dores de cabeça, musculares, náuseas e mal-estar, se confundem com outras doenças como dengue.
Manchas vermelhas, características da doença, surgem apenas em estágios avançados, quando o quadro já está grave.
A Secretaria estadual da Saúde realiza ações para detectar e tratar rapidamente os casos, o que é crucial para reduzir a letalidade. O tratamento deve começar na primeira semana de sintomas com antibióticos para ser eficaz.
O Ministério da Saúde recomenda cuidados simples para evitar a febre maculosa: vestir roupas claras e de mangas compridas, colocar a calça dentro da meia, verificar o corpo após passeios em áreas de risco e remover carrapatos rapidamente.
Não existe vacina contra essa doença.
