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sexta-feira, 17/07/2026

Calor do El Niño deve aumentar temperatura no DF

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Em Brasília

O fenômeno conhecido como El Niño já começa a mostrar seus efeitos no Distrito Federal, trazendo mudanças no clima local. Embora o calor intenso ainda não tenha chegado, chuvas fora do período esperado chamaram a atenção dos especialistas. Eles indicam que, durante os próximos meses, o El Niño deve se fortalecer, elevando a temperatura e aumentando o risco de incêndios florestais na região durante o período seco.

Ao contrário do que ocorre em outras partes do Brasil, o principal impacto do El Niño no Distrito Federal será o aumento da temperatura, que deve ficar acima da média na primavera e no verão. A quantidade de chuva, entretanto, ainda não tem um padrão claro para esta área.

Primeiros sinais do El Niño

O especialista climático Francisco de Assis afirma que o fenômeno já atingiu uma intensidade forte devido ao aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial, o que influencia o clima brasileiro. Ele destaca que as chuvas recentes, que ocorreram mesmo em um período normalmente seco, são resultado direto desse fenômeno, incluindo as chuvas intensas nas regiões do Tocantins e Maranhão.

Francisco de Assis reforça que o impacto mais significativo para Brasília deve acontecer na primavera, quando a temperatura deve subir consideravelmente, e recomenda que a população acompanhe as previsões meteorológicas para se preparar para possíveis períodos de baixa umidade, ondas de calor e tempestades localizadas.

Especialistas alertam para calor acima da média

De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o El Niño tende a se intensificar até o final do ano, chegando a forte ou muito forte intensidade entre novembro de 2026 e janeiro de 2027. Na Região Centro-Oeste, a principal consequência será o aumento da temperatura média do ar. Diferente do Sul do Mato Grosso do Sul, onde há previsão de chuvas acima do normal, no Distrito Federal não se espera mudanças significativas no volume de precipitação.

Gilvan Sampaio, pesquisador do INPE, chama a atenção para o aumento do risco de incêndios florestais, especialmente em áreas degradadas, devido ao calor intenso. Além disso, temperaturas elevadas podem afetar a saúde de pessoas com problemas cardíacos e respiratórios e elevar o consumo de energia para refrigeração, além de prejudicar a qualidade do ar pelas queimadas.

No campo, adaptação é essencial

A produção agrícola local já trabalha para se adaptar às mudanças climáticas. Nos vinhedos do Distrito Federal, as variações de temperatura influenciam diretamente na qualidade das uvas. O produtor Ronaldo Triacca destaca que o frio durante o inverno contribui para a maturação dos frutos, enquanto as chuvas fora do período habitual tiveram impacto limitado graças à técnica de dupla poda adotada na plantação, que desloca a colheita para o inverno, período mais seco da região.

Para proteger as plantações, medidas de prevenção contra incêndios, como limpeza da vegetação seca e monitoramento constante, são rotina nas fazendas. Ronaldo Triacca também ressalta que a adaptação ao clima do cerrado exige investimentos em tecnologia e manejo, aumentando os custos da produção, mas garantindo uvas de qualidade.

Desafios futuros para a agricultura

Outro produtor local, Erbert Araújo, da Vinícola Brasília, acredita que, apesar da região ser favorecida em relação a outras áreas do país, os agricultores terão que enfrentar desafios diante das mudanças climáticas. Ele relata que a alta precipitação em junho trouxe problemas para a saúde dos vinhedos, exigindo cuidados extras.

Erbert Araújo destaca que a agricultura precisará investir cada vez mais em tecnologias e inovações para minimizar os efeitos das mudanças climáticas e garantir a produção de alimentos de qualidade. Esse será um desafio grande para os próximos anos.

Enquanto o pico do El Niño ainda está por vir, a recomendação dos especialistas é que a população acompanhe as previsões meteorológicas e se prepare para um período de temperaturas mais elevadas. No Distrito Federal, onde o calor já é comum na estação seca, o fenômeno deve tornar esse cenário ainda mais intenso, exigindo cuidado com a saúde, o meio ambiente e a agricultura.

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