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sexta-feira, 17/04/2026

pgr rejeita delação de camisotti e solicita suspensão no stf

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CONSTANÇA REZENDE
FOLHAPRESS

A Procuradoria-Geral da República (PGR) não concorda em aprovar o acordo de delação feito entre o empresário Maurício Camisotti, preso na operação que investiga fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), e a Polícia Federal (PF).

Os procuradores afirmam que a colaboração deveria ter sido iniciada e acompanhada pelo Ministério Público Federal (MPF), que é o órgão responsável por apresentar denúncias relacionadas ao caso e decidir se concede o benefício judicial ao colaborador.

Na visão da PGR, a Polícia Federal precisa começar uma nova delação desde o início, contando com a participação da Procuradoria durante as negociações.

O vice-procurador-geral da República, Hindemburgo Chateaubriand, enviou uma petição ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), em 13 de março, pedindo a suspensão do acordo. O ministro, que acompanha o caso, deve decidir se aceita a delação.

Chateaubriand criticou o modo como a colaboração foi feita, lembrando que a lei exige que ela ocorra com a participação do delegado, do investigado, do defensor e do Ministério Público.

Até agora, o ministro não tomou uma decisão final. Após o acordo ter sido fechado recentemente com a Polícia Federal, Mendonça solicitou uma nova posição da Procuradoria, que ainda não respondeu ao pedido.

A insatisfação da PGR também foi comunicada à defesa de Camisotti, que trabalha para transferi-lo da Superintendência da Polícia Federal em São Paulo para prisão domiciliar. Esta situação foi apontada aos advogados como um obstáculo para aceitar o pedido.

Camisotti solicitou a mudança de regime prisional em sua colaboração, alegando risco de segurança na cadeia por causa das informações que forneceu sobre outras pessoas envolvidas.

Apontado pela Polícia Federal como um dos principais responsáveis pelo esquema de descontos ilegais no INSS, Camisotti vinha negociando a delação desde o final do ano passado.

Ele foi alvo da Operação Sem Desconto, que prendeu, entre outros, Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS.

Na época da prisão, em setembro de 2025, a defesa afirmava que Camisotti nunca participou de qualquer irregularidade no INSS.

Para que a delação seja aceita, é preciso que ele confesse os crimes e apresente provas, incluindo nomes de outros envolvidos, como dirigentes e políticos, e documentos que confirmem as acusações.

O escândalo dos descontos indevidos em aposentadorias e pensões, sem autorização dos beneficiários, ganhou destaque em abril do ano passado, durante a primeira operação da PF e da Controladoria-Geral da União (CGU).

Há suspeitas de que organizações responsáveis pelos descontos e empresas que prestam serviços façam lavagem de dinheiro. Camisotti seria um dos beneficiários do esquema.

Empresas ligadas a ele receberam transferências da Ambec (Associação de Aposentados Mutualista para Benefícios Coletivos), uma das principais investigadas no caso. O INSS repassou quase R$ 400 milhões à Ambec entre 2023 e 2025.

Como mostrado pela Folha de S.Paulo, Camisotti fez saques em dinheiro vivo no total de R$ 7,2 milhões, em 11 retiradas.

Entre 2018 e 2025, foram 17 saques, sendo o maior de R$ 3 milhões, conforme relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), feito a pedido da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Congresso sobre fraudes no INSS.

Também foram retirados R$ 285 mil de sua conta, embora o relatório não deixe claro quem fez esse saque, apesar de identificá-lo como titular da conta. Essas operações levantam suspeitas de tentativa de burlar a fiscalização financeira.

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