ISABELLA MENON
FOLHAPRESS
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, declarou nesta sexta-feira (17), em Washington, que o fim da escala 6×1 precisa ser debatido no Congresso e não pode gerar custos para o governo. Além disso, ele ressaltou a importância de prever uma transição para os setores mais afetados.
Dario Durigan afirmou que o assunto ainda está em estudo e que o governo quer ouvir diferentes setores da economia. “Sou a favor de conversar com os setores para entender como se adaptar, prevendo uma transição para dar tempo de ajuste”, disse em entrevista durante as reuniões do Fundo Monetário Internacional (FMI).
O ministro reconheceu que existem preocupações sobre o aumento de custos, mas que estudos mostram um impacto menor do que o esperado, já que muitos setores já operam com jornadas diferentes.
Ele destacou que, assim como em mudanças anteriores nas leis trabalhistas, o custo não pode ser repassado ao Tesouro. “Esse avanço deve representar um ganho importante para os trabalhadores, sem que a sociedade tenha que bancar com recursos públicos”, explicou.
Reduzir a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais é uma das estratégias do governo para aumentar a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva neste ano eleitoral.
Setores produtivos chegaram a pedir algum tipo de ajuda para áreas que seriam mais impactadas, mas os ministros do Trabalho, Luiz Marinho, e da articulação política, José Guimarães, afirmaram que não haverá compensações financeiras, apenas negociação para um processo de transição.
Programa de renegociação de dívidas
Dario Durigan informou que o governo está com um projeto pronto para renegociar dívidas. O programa deve ser anunciado após a viagem do presidente Lula para a Europa, na qual ele retorna ao Brasil em 22 de abril. A ideia é possibilitar que dívidas com juros altos, como cartões de crédito, sejam substituídas por linhas de crédito mais baratas, sem gerar gasto direto do governo, inclusive com garantias do Tesouro.
O programa será implementado em etapas, abrangendo famílias, trabalhadores informais e pequenas empresas.
Impactos da guerra no Oriente Médio
Sobre a situação da guerra no Oriente Médio, Dario Durigan ressaltou que as incertezas são grandes, com possíveis impactos negativos para o crescimento global e a inflação. Apesar das discussões sobre cessar-fogo, ainda não há estabilidade para um acordo duradouro, o que mantém o mercado global instável.
O governo está focado em proteger os mais pobres dos efeitos dessa guerra, com medidas como redução de impostos sobre diesel, apoio ao setor aéreo, gás de cozinha e transporte, além de reforço na fiscalização de preços. Não há novas ações previstas no momento, mas o governo está atento para agir se necessário.
Retorno da Venezuela ao FMI
Dario Durigan comentou sobre o retorno da Venezuela ao Fundo Monetário Internacional após seis anos. A diretora do FMI, Kristalina Georgieva, informou que o fundo voltou a atuar com a administração da presidente interina Delcy Rodríguez, que assumiu após a captura de Maduro pelos EUA.
Para o ministro, é importante que a Venezuela supere suas dificuldades, retome seu desenvolvimento e volte a participar ativamente de instituições financeiras como o FMI, Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe (CAF) e Banco Internacional de Desenvolvimento (BID). Ele acredita que a Venezuela tem grandes chances de voltar a crescer.
