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quarta-feira, 27/05/2026

Paciente morre após procedimento com PMMA, médica diz que usou dose máxima

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PAULO EDUARDO DIAS
FOLHAPRESS

A médica Tábita Nunes Marcolino Jorge, 36 anos, aplicou PMMA (polimetilmetacrilato) nos glúteos e na coxa da maquiadora Roseli Fernandes de Oliveira Romeiro Vieira, 48 anos, em um procedimento realizado na segunda-feira (25), na zona sul de São Paulo. Segundo seu depoimento, foram usadas cem seringas, cada uma com 3 ml do produto, somando 300 ml no total, que é a dose máxima permitida por aplicação, conforme consta no boletim de ocorrência do 27º DP (Campo Belo).

Outro procedimento estava agendado para a terça-feira, pois a médica explicou que a dose pode ser excedida se os procedimentos ocorrerem em dias diferentes e em áreas diversas.

Uma secretária de Tábita disse em depoimento que o procedimento custou R$ 54.410, pago via Pix, e o aluguel do local foi R$ 1.500. Essa foi a primeira vez que a médica utilizou esse espaço, que fica no Brooklin, São Paulo, embora ela também atue em Goiânia.

Infelizmente, Roseli faleceu na terça-feira (26) após sentir-se mal e retornar à clínica para uma avaliação. A Polícia Civil está investigando o caso, registrado como morte suspeita e possível homicídio.

A defesa de Tábita afirmou que o procedimento foi realizado sem complicações e não há laudo que relacione a morte ao procedimento. Tábita está colaborando com a investigação e expressou solidariedade à família da vítima.

Segundo a filha de Roseli, em depoimento, a mãe começou a sentir dores e sintomas graves por volta das 8h de terça-feira, incluindo mal-estar, fraqueza e dificuldade para respirar. No caminho para a clínica, ela ficou inconsciente e, apesar das tentativas de reanimação de Tábita e da equipe do Samu, Roseli morreu no local.

Roseli conheceu Tábita pelo Instagram, onde a médica divulga seus trabalhos. A maquiadora havia realizado outro procedimento no rosto recentemente, sem problemas, e viajou do Mato Grosso do Sul para São Paulo para essa intervenção.

Tábita explicou que o procedimento incluiu remodelação dos glúteos com 120 ml de PMMA em cada lado e 30 ml em cada região posterior, usando o produto Biossimetric em gel, e durou cerca de duas horas e meia. A médica também informou que o PMMA é considerado seguro, tendo realizado procedimentos similares por cerca de seis anos sem complicações anteriores.

A médica possui pós-graduação em dermatologia, mas não fez residência médica na área. Atualmente, atende pacientes em São Paulo e Goiânia. O pré-atendimento é feito por WhatsApp, com questionário, e exames foram solicitados para garantir que Roseli estava apta para o procedimento. No pós-operatório, foram prescritos repouso, antibióticos, anti-inflamatórios e analgésicos.

Entidades médicas brasileiras, como o Conselho Federal de Medicina (CFM), a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), são contrárias ao uso do PMMA para fins estéticos e solicitaram à Anvisa a proibição total do produto para esse uso.

No entanto, conforme informação da Anvisa, o PMMA continua autorizado para preenchimento cutâneo ou muscular com finalidades corretivas ou reparadoras por motivos de saúde e sob prescrição médica, mas não para aumento de volume puramente estético.

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