São Paulo, SP (UOL/FOLHAPRESS)
A Polícia Civil do Rio de Janeiro iniciou nesta quarta-feira (29) uma ação para desmontar a parte financeira do Comando Vermelho (CV) e investigar pessoas suspeitas de ligação com Marcinho VP, conhecido como líder da facção.
Esta nova etapa da Operação Contenção foca na movimentação e camuflagem de dinheiro relacionado ao tráfico de drogas. Mandados de prisão e de busca estão sendo cumpridos em casas em Jacarepaguá e Barra da Tijuca, áreas da zona Oeste do Rio.
Até agora, um suspeito foi detido. A operação ainda continua com buscas por documentos, aparelhos eletrônicos e outros itens que possam ajudar nas investigações.
Ao longo de cerca de um ano, a investigação mapeou como o grupo fazia o dinheiro circular. A polícia analisou dados de dispositivos eletrônicos apreendidos e cruzou informações financeiras e de comunicação para encontrar os responsáveis pelas transações.
Os agentes descobriram um esquema de recebimento, divisão e reintegração de valores ilegais na economia formal. Conforme a investigação, as lideranças distribuíam dinheiro para operadores financeiros, que dividiam os valores em contas de terceiros e usavam os recursos para pagar despesas, comprar bens e ocultar patrimônio.
Conversas atribuídas a Carlos Costa Neves, conhecido como Gardenal, considerado uma das lideranças do CV, e a um miliciano foram encontradas pela polícia. Para os investigadores, esses diálogos detalham a rede de contatos e a forma de atuação do grupo. O conteúdo, porém, não foi divulgado.
A polícia afirmou que as conversas confirmam a influência de Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, como líder central da facção mesmo após muitos anos preso. Preso desde agosto de 1996, ele nega ser chefe do Comando Vermelho e afirma que as acusações são falsas.
Os policiais estão identificando outras pessoas envolvidas e possíveis empresas usadas na lavagem de dinheiro. Também procuram mapear beneficiários indiretos e novas formas de esconder o patrimônio.
A Operação Contenção foi apresentada pelo governo do estado como uma iniciativa para conter o avanço do grupo criminoso no território. O objetivo é atingir a estrutura financeira, logística e operacional da facção e prender traficantes que atuam na região.
Segundo o governo estadual, a ação já resultou em mais de 300 prisões e 136 criminosos mortos em confrontos. Foram apreendidas cerca de 470 armas, incluindo 190 fuzis, além de mais de 51 mil munições.
