NATHALIA GARCIA
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)
O Comitê de Política Monetária (Copom) deve reduzir a taxa básica de juros Selic em 0,25 ponto percentual, deixando a taxa em 14,5% ao ano. Essa decisão é aguardada pelo mercado financeiro para a reunião desta quarta-feira (29), mesmo com a ausência de alguns diretores no colegiado.
A incerteza causada pelo conflito no Oriente Médio e a pressão nos preços dos combustíveis e alimentos têm levado o Copom a agir com cautela. Economistas apontam que a redução nos juros será mais lenta e que o ciclo de queda da Selic deve durar menos do que o esperado anteriormente.
Fernando Gonçalves, do Itaú Unibanco, destaca que a piora nas expectativas de inflação até 2028 indica menos espaço para cortes de juros. O banco aumentou sua projeção da Selic ao final do ciclo, de 12,25% para 13%.
O boletim Focus mostrou alta da previsão de inflação para 2026, que chegou a 4,86%, acima da meta do Banco Central. Para 2027 e 2028, as expectativas de inflação também subiram, colocando um desafio maior para a política monetária.
Além dos preços preocuparem, a região do Estreito de Hormuz está passando por riscos geopolíticos maiores, mantendo o preço do petróleo elevado, o que gera impacto na inflação e em toda a economia.
A inflação atual, medida pelo IPCA-15, acelerou para 4,37% no período de 12 meses até abril, impactada pela alta dos combustíveis e alimentos. Ao mesmo tempo, a valorização do real frente ao dólar ajuda a justificar o pequeno corte de juros atual.
Nos Estados Unidos, o Federal Reserve deve manter sua taxa de juros estável, o que influencia as decisões do Banco Central no Brasil.
Solange Srour, do UBS Global Wealth Management, afirma que o Banco Central brasileiro está sendo mais cauteloso, aguardando dados mais claros antes de decisões maiores, preocupada com a comunicação das ações para o mercado.
Ela destaca que a inflação pode aumentar porque a desaceleração econômica será lenta devido a uma política fiscal expansionista. A falta de credibilidade na política fiscal dificulta o controle das expectativas de inflação.
Segundo a economista, sem um plano claro para controlar a dívida pública e gerar superávits, as expectativas de inflação permanecem desancoradas, ou seja, distantes da meta estipulada.
A história recente mostra vários anos com inflação fora da faixa permitida, o que contribui para o cenário atual de desconfiança e incerteza. Por isso, a Selic não deve cair muito abaixo de 13,5% ao ano até o final do ciclo.
Alexandre Schwartsman, ex-diretor do Banco Central, concorda que a taxa Selic deve terminar 2026 acima do que se esperava antes do conflito no Irã. Ele ressalta que a queda nos juros dependerá do comportamento do preço do petróleo, que atualmente está cotado em US$ 104,82 o barril Brent.
Se os preços do petróleo caírem, o Banco Central poderá acelerar os cortes de juros, mas sem isso, as reduções devem ser graduais, com a Selic ficando entre 13% e 13,5% aproximadamente ao final do ano.
