24 C
Brasília
sexta-feira, 17/04/2026

Novo remédio para Alzheimer inicial terá preço entre R$ 8.000 e R$ 11.000

Brasília
nuvens dispersas
24 ° C
24 °
24 °
70 %
0.9kmh
37 %
sáb
26 °
dom
27 °
seg
26 °
ter
27 °
qua
21 °

Em Brasília

PATRÍCIA PASQUINI
FOLHAPRESS

A CMED, órgão ligado à Anvisa, anunciou o preço do lecanemabe, medicamento indicado para o tratamento do Alzheimer em fase inicial e comprometimento leve da memória.

O tratamento mensal, com aplicação intravenosa a cada 15 dias para um paciente de 70kg, custará R$ 8.108,94, sem taxas. Com impostos de 18%, o valor chega a R$ 11.075,62. O remédio, comercializado como Leqembi, é produzido pela empresa japonesa Eisai em parceria com a Biogen.

O lecanemabe é um anticorpo monoclonal que age na proteína beta-amiloide, que se acumula no cérebro dos pacientes anos antes dos sintomas aparecerem, e está associada à evolução da doença. O medicamento diminui a velocidade de avanço da doença, mas não melhora os sintomas.

Aprovado pela Anvisa em 22 de dezembro de 2025, o remédio deve chegar ao mercado no final de junho.

Este medicamento age removendo as placas de beta-amiloide e neutralizando o processo que mata os neurônios, segundo Tatiana Branco, diretora médica da Biogen no Brasil.

O neurologista Paulo Caramelli, da UFMG, explica que estudos mostraram redução de 27% na progressão da doença em pacientes tratados por 18 meses, comparado ao grupo que recebeu placebo. O efeito é modesto, sendo como ganhar alguns meses extras no tratamento.

É importante saber que há riscos de efeitos colaterais graves, como inchaço e hemorragia cerebral, principalmente para pessoas com um tipo genético chamado apolipoproteína E4. A Anvisa não aprovou o uso para este grupo de risco alto.

Antes do tratamento, exames devem ser feitos, incluindo um teste genético e ressonância magnética, para garantir segurança. Pacientes que usam anticoagulantes não podem usar o remédio.

Rodrigo Nascimento, diretor médico da Eisai no Brasil, comenta que o preço considera a inovação, a complexidade tecnológica e a avaliação dos órgãos reguladores.

O tratamento é feito com duas aplicações intravenosas por mês, cada uma com dose de 10 mg por quilo de peso, em clínicas especializadas.

Paulo Caramelli destaca que este é um avanço importante, pois abre caminho para novos medicamentos que atuam diretamente nos mecanismos biológicos da doença, e que no futuro podem surgir tratamentos mais eficazes e seguros.

Veja Também