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sábado, 09/05/2026

Mulheres negras do Norte e Nordeste enfrentam mais a fome

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Os lares coordenados por mulheres negras nas regiões Norte e Nordeste do Brasil são os mais prejudicados pela falta grave de alimentos, conforme o estudo As faces da desigualdade: raça, sexo e alimentação no Brasil (2017-2023), realizado por Veruska Prado e Rute Costa e promovido pela organização Fian Brasil.

Segundo a pesquisa, as casas com níveis mais altos de insegurança alimentar grave são aquelas lideradas por mulheres negras (38,5%), seguidas por homens negros (28,9%), mulheres brancas (22,2%) e homens brancos (15,7%). As residências chefiadas por mulheres que se declaram negras apresentam piores condições em todas as regiões, sendo mais críticas no Norte (46,3%) e Nordeste (45,7%).

A falta de alimentos é mais comum no campo do que nas cidades, o que evidencia a necessidade de políticas específicas para as áreas rurais. As autoras ressaltam que ser mulher e negra implica maior exposição às desigualdades e injustiças na alimentação.

O estudo também mostra que a participação no mercado de trabalho formal e o tipo de emprego influenciam muito a situação alimentar das famílias. Mesmo entre empregadores, há diferenças por raça: domicílios comandados por mulheres brancas têm 95,2% de segurança alimentar, seguidos por homens brancos (93,8%), mulheres negras (89,4%) e homens negros (89%). A fome entre famílias lideradas por mulheres negras com trabalho formal é igual à encontrada em casas comandadas por homens brancos que trabalham informalmente.

Rute Costa, professora adjunta do Instituto de Alimentação e Nutricional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), destaca que as estruturas de opressão afetam a qualidade de vida e o acesso à alimentação. Ela enfatiza a importância das políticas sociais, mencionando a retomada do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea) e o fortalecimento do Bolsa Família em 2023 como passos essenciais para promover mudanças sociais.

O estudo cobre o período antes do anúncio da saída do Brasil do Mapa da Fome pela Organização das Nações Unidas (ONU), prevista para 2025. A insegurança alimentar grave caiu de 15,5% em 2022 para 4,1% em 2023.

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