A decisão do governo dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas chamou atenção da imprensa pelo mundo. Os principais jornais e emissoras internacionais veem essa medida como algo que vai além do combate ao crime organizado, podendo causar impactos diplomáticos, financeiros e políticos no Brasil.
Nos Estados Unidos, o The New York Times destacou a influência de membros da família Bolsonaro junto ao governo de Donald Trump para apoiar a inclusão das facções brasileiras nessa lista. Segundo o jornal, houve “meses de lobby intenso dos filhos do ex-presidente preso Jair Bolsonaro” antes da decisão.
A reportagem também apontou possíveis consequências econômicas para o sistema financeiro brasileiro, afirmando que “a designação pode trazer grandes problemas para o setor bancário”, aumentando o risco de sanções contra instituições financeiras associadas, direta ou indiretamente, às facções.
O The Washington Post seguiu uma linha parecida, relacionando a medida à política de endurecimento adotada por Trump contra grupos criminosos na América Latina. O jornal mencionou que membros do governo Lula veem a decisão “como uma interferência a favor de seu adversário”.
A publicação também ressaltou que o presidente americano tem adotado “medidas firmes para combater o tráfico de drogas no Hemisfério Ocidental”, utilizando a legislação antiterrorismo para atingir facções e cartéis da região.
Na Europa, o Financial Times destacou os efeitos econômicos e diplomáticos da decisão. O jornal britânico afirmou que a classificação pode “tensionar as relações com o Brasil” e aumentar a vigilância internacional sobre operações financeiras suspeitas pelas autoridades americanas.
De acordo com a publicação, PCC e CV passaram a ser vistos como “redes criminosas transnacionais”, atuando para além das fronteiras brasileiras e em rotas internacionais de tráfico de drogas.
O espanhol El País afirmou que a decisão “está impactando o processo eleitoral” de outubro. O jornal destacou a preocupação do governo Lula com a ampliação da influência jurídica e econômica dos Estados Unidos sobre instituições brasileiras, alegando que a medida “pode abrir caminho para uma intervenção militar”.
A emissora francesa France24 ressaltou a ideologia envolvida no debate sobre a classificação de facções criminosas como terroristas. Segundo a rede, “países como o México e o Brasil, com líderes de centro-esquerda, têm se manifestado fortemente contra essas designações”, enquanto governos alinhados à direita apoiam ações semelhantes.
A reportagem também observou que, “do ponto de vista político, essa designação é uma afronta clara ao Lula“, especialmente depois que o presidente brasileiro saiu satisfeito de uma recente reunião com Trump.
Fora do eixo europeu e americano, a rede Al Jazeera ligou o anúncio à aproximação política entre Donald Trump e a família Bolsonaro. Segundo a emissora, o presidente americano “tem buscado designar redes criminosas latino-americanas como terroristas” numa política regional de endurecimento.
A reportagem lembrou episódios recentes de tensão entre Washington e Brasília, afirmando que “Trump já interferiu na política brasileira em favor da família Bolsonaro“, citando medidas comerciais anteriores dos Estados Unidos contra o Brasil.
A repercussão internacional veio após o secretário de Estado americano, Marco Rubio, anunciar a inclusão oficial do PCC e CV em listas relacionadas ao combate ao terrorismo e ao crime transnacional organizado. A medida amplia os instrumentos jurídicos e financeiros disponíveis às autoridades americanas, podendo gerar novos desdobramentos nas relações diplomáticas entre o Brasil e os Estados Unidos.

