O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) está completando 90 anos neste dia 29 de maio, enfrentando desafios para finalizar o Censo de 2022 e lidando com tensões internas entre a gestão do presidente Márcio Pochmann e parte dos servidores.
A direção do IBGE planeja realizar novas pesquisas, como o 12º Censo Agropecuário em 2027 e um levantamento inédito sobre a população em situação de rua em 2028. No entanto, os microdados detalhados do Censo Demográfico de 2022 ainda não foram publicados, mesmo depois do prazo de divulgação inicialmente previsto para dezembro do ano passado, sem data nova confirmada.
Esses microdados são essenciais para análises detalhadas sobre aspectos socioeconômicos, utilizadas por pesquisadores e formuladores de políticas públicas. A gestão atual garantiu que a liberação dessas informações é prioridade e afirmou que os dados serão divulgados apenas quando estiverem tecnicamente prontos e com garantias de sigilo, especialmente devido aos riscos da inteligência artificial.
A demora na divulgação é criticada por servidores como Suzana Cavenaghi, demógrafa e pesquisadora independente, que considera o atraso constrangedor, mas defende que é possível proteger a privacidade dos dados por meio de métodos estatísticos, como agrupar informações sensíveis em faixas de rendimento ou agregar dados de pequenos municípios para evitar identificação.
Sindicato critica a gestão
Clician Oliveira, diretora do sindicato dos trabalhadores do IBGE, aponta que a falta de um cronograma oficial provoca especulações e prejudica a credibilidade do instituto. Além disso, o sindicato tem conflitos com a gestão de Márcio Pochmann desde 2024, devido a questões como exonerações e a proposta da fundação IBGE+, que levantou preocupações por permitir trabalhos para a iniciativa privada. Essa fundação não avançou após críticas e foi considerada irregular pelo Tribunal de Contas da União.
A atual gestão destaca que tem promovido um diálogo frequente com os servidores e reconhece que a diversidade interna pode gerar conflitos. Márcio Pochmann assumiu o comando do IBGE em agosto de 2023, indicado pelo presidente Lula, e afirma estar renovando e modernizando o órgão, que é considerado estratégico para o Brasil.
Preocupações e futuro do IBGE
Ex-diretores como Roberto Olinto manifestam preocupação com o posicionamento político da direção, reforçando que o IBGE deve manter sua reputação como órgão técnico e imparcial. Apesar das dificuldades e tensões, especialistas asseguram que o corpo técnico mantém os padrões internacionais de produção e divulgação dos dados públicos.
O IBGE foi criado oficialmente em 1936 durante o governo do presidente Getúlio Vargas, originalmente chamado Instituto Nacional de Estatística. Desde então, produz indicadores fundamentais para o país, incluindo dados do Censo Demográfico, índices econômicos importantes como o IPCA, PIB e taxa de desemprego.
A pesquisa POF (Pesquisa de Orçamentos Familiares) referente a 2024/2025 está prevista para começar a divulgação em novembro deste ano, com planos para uma versão contínua que facilite atualizações mais rápidas das informações sobre o custo de vida das famílias brasileiras.

