Friedrich Merz, chanceler federal da Alemanha, afirmou neste domingo (3/5) que continuará colaborando com o presidente dos EUA, Donald Trump, apesar das discordâncias recentes envolvendo a guerra no Irã.
Em entrevista à emissora pública alemã ARD, Merz declarou: “Não desisto de trabalhar pelas relações transatlânticas e não desisto de cooperar com Donald Trump”.
Ele também confirmou que os mísseis de cruzeiro Tomahawk, prometidos em 2024 pelo ex-presidente americano Joe Biden, não serão instalados na Alemanha por enquanto, explicando que os EUA atualmente não possuem quantidade suficiente dessas armas.
Merz ressaltou que dificilmente os EUA poderiam transferir esse tipo de armamento no momento, mas enfatizou que “ainda não é tarde demais” para isso.
Os mísseis Tomahawk, com alcance suficiente para atingir a Rússia, tinham a intenção de fortalecer a capacidade de defesa da Alemanha até que a Europa possa desenvolver seus próprios mísseis.
Sobre a retirada de mais de cinco mil soldados americanos da Alemanha, anunciada por Donald Trump, Merz disse que tal decisão não é nova, já vinha sendo discutida anteriormente e não deve ser exagerada em sua repercussão.
O chanceler negou qualquer ligação entre esse anúncio e suas críticas recentes à estratégia dos EUA na guerra contra o Irã, afirmando que sua opinião sobre o assunto permanece firme.
Ele também criticou os EUA por iniciarem esse conflito sem consultar os aliados, dizendo ter pedido a Trump para que, em situações assim, peça ajuda formalmente, o que, segundo ele, não aconteceu.
Merz afirma que os EUA estão sendo humilhados
Semana passada, em evento com estudantes, Merz afirmou que os EUA parecem não ter uma estratégia clara para o conflito com o Irã, opinião compartilhada por muitos especialistas. Ele destacou que a liderança iraniana tem humilhado os americanos nas negociações de paz.
Donald Trump respondeu criticando Merz, acusando-o injustamente de apoiar que o Irã tenha armas nucleares, o que o chanceler alemão nunca disse. Trump afirmou que se o Irã tivesse uma arma nuclear, o mundo inteiro estaria em risco.
Questões com a Otan
O presidente americano tem reclamado da falta de apoio da Alemanha e de outros aliados na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). No final da semana passada, anunciou a saída de 5 mil soldados americanos da Alemanha, chegando a mencionar número ainda maior posteriormente.
Sobre seu relacionamento com Donald Trump, Merz reconheceu que deve aceitar a opinião diferente do presidente americano, mas reafirmou sua convicção de que os EUA são parceiros essenciais da Alemanha dentro da Otan.
