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domingo, 10/05/2026

Mães de filhos desaparecidos pedem mais atenção no Dia das Mães

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No Dia das Mães, comemorado neste domingo (10), mães de crianças e jovens desaparecidos no Brasil pedem mais atenção e ajuda para encontrá-los. Elas enfrentam diariamente a dor da ausência e encontram dificuldades para receber suporte adequado em delegacias e da sociedade. Em 2025, foram registrados 84.760 casos de pessoas desaparecidas no país, mostrando a gravidade da situação.

Clarice Cardoso, 27 anos, mora na comunidade quilombola São Sebastião dos Pretos, em Bacabal (MA). Ela vive um pesadelo há mais de quatro meses, desde que seus filhos Ágatha Isabelle, 6 anos, e Allan Michael, 4 anos, desapareceram em 4 de janeiro enquanto brincavam na mata com o primo Anderson, 8 anos, que foi encontrado. Clarice conta com o apoio do marido Márcio e do filho mais velho, André, 9 anos, para continuar as buscas. Ela espera notícias a cada ligação e já enfrentou preconceito racista ao buscar ajuda na delegacia, que fica a 12 km de casa. Sua mãe sofreu um acidente de moto ao acompanhá-la. A polícia investiga um possível contato de um homem com as crianças na mata, mas todas as informações estão sendo verificadas.

Ivanise Espiridião, 63 anos, de São Paulo, fundou o grupo Mães da Sé após o desaparecimento da filha Fabiana, 13 anos, em 23 de dezembro de 1995. Em 2026, ela viverá o 30º Dia das Mães sem a filha, mas recebe apoio da filha Fagna, 43 anos, e da neta Eva, 7 anos. O grupo reúne mais de seis mil mães, principalmente em São Paulo, e usa o aplicativo Family Faces para ajudar na busca por desaparecidos através de reconhecimento facial. Antes, as mães faziam protestos na Praça da Sé, mas hoje focam em cuidar dos filhos que estão presentes para evitar mais sofrimento. Ivanise aconselha que não se espere 24 horas para registrar o desaparecimento de uma criança ou adolescente, conforme a lei que obriga ação imediata. O grupo também oferece atendimento psicológico remoto com cinco voluntários e reforça que ninguém deve se sentir sozinho nessa dor.

Lucineide Damasceno, 60 anos, também de São Paulo e integrante do Mães da Sé, perdeu o filho Felipe, 16 anos, em 3 de novembro de 2008, após ele sair de moto para encontrar um amigo. Depois de um episódio de pânico em 2013, ela criou a ONG Abrace para ajudar famílias carentes com comida e apoio. Lucineide, mãe de Amanda e Anderson, e avó de Gustavo, 11 anos, e Gabriel, 9 anos, evita comemorar o Dia das Mães, mas faz esforço para participar dos almoços em família. Ela guarda presentes que eram para o filho há 20 anos e orienta os netos sobre os perigos da vida. No grupo, encontra força e transforma o sofrimento em luta ativista.

A psicóloga Melânia Barbosa, que estuda o tema, destaca que a dor da ausência é única e comum em transtornos como depressão e ansiedade. Ela defende que o poder público ofereça suporte emocional e capacite profissionais para atender essas famílias, que ainda recebem pouca atenção. Grupos de apoio lembram que as mães não estão sozinhas, incentivando a solidariedade e o acolhimento. Cerca de 42% das pessoas desaparecidas são encontradas, mas as mães continuam firmes na busca por memória e respostas, criando redes de apoio e solidariedade.

Com informações da Agência Brasil

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