O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a parceria entre o Brasil e a Espanha foi fundamental para a aprovação do acordo entre Mercosul e União Europeia.
A jornada de Lula pela Europa começou na Espanha, onde estabeleceu compromissos focados em acordos comerciais, cooperação estratégica e o fortalecimento da democracia. A viagem prevista para cinco dias também inclui paradas na Alemanha e em Portugal.
Lula abordou ainda questões como o controle de armamentos, combate ao crime organizado, regulamentação da internet e racismo. Segundo ele, a flexibilização das regras para posse de armas no Brasil favoreceu criminosos, e ressaltou que a Polícia Federal brasileira está pronta para colaborar com a guarda civil espanhola, especialmente através do uso do Sistema Rapina, um software que identifica abusos contra crianças e adolescentes na internet.
Sobre as grandes empresas de tecnologia, o presidente alertou para o perigo do colonialismo digital, uma vez que os dados pessoais são explorados para concentrar poder econômico e político em poucas mãos.
Referindo-se aos recentes episódios de racismo contra jogadores brasileiros, incluindo Vini Jr, Lula afirmou que Brasil e Espanha estão unidos no combate ao racismo dentro e fora dos campos de futebol, e revelou um plano conjunto para combater a discriminação e a xenofobia.
Lula na Europa
Lula chegou a Barcelona na noite de quinta-feira para participar da 1ª Cúpula Brasil-Espanha, que reúne equipes ministeriais dos dois países para discutir diversos acordos.
No sábado, o presidente estará em um evento de alto nível intitulado “Em Defesa da Democracia, Combatendo Extremismos”, organizado por ele e pelo primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez. O encontro irá discutir temas como crises institucionais, o impacto das fake news, discursos de ódio, desigualdade e seus efeitos nos sistemas democráticos, além da violência política e digital de gênero.
Nos bastidores, Lula busca apoio para a candidatura da ex-presidente chilena Michelle Bachelet à Secretaria-Geral da Organização das Nações Unidas.
O evento contará com a presença de representantes de 14 países, o presidente do Conselho Europeu e um enviado da ONU. Entre os líderes confirmados estão Gustavo Petro (Colômbia), Yamandú Orsi (Uruguai), Catherine Connolly (Irlanda), Peter Pellegrini (Eslováquia), Cyril Ramaphosa (África do Sul) e John Dramani Mahama (Gana).
