O Brasil é o quarto país com mais ataques não provocados de tubarão no mundo, e o litoral de Pernambuco concentra a maioria desses casos. Recentemente, dois ataques no litoral pernambucano chamaram a atenção. Três anos atrás, aos 15 anos, Kaylanne Timóteo Freitas foi atacada por um tubarão na Praia de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes, e perdeu parte do braço esquerdo.
Hoje, com 19 anos, ela ainda sente dores físicas e tem marcas emocionais decorrentes do acidente. Ela lembra com clareza o dia 6 de março de 2023 e afirma que foi quando sua vida virou de cabeça para baixo.
Kaylanne aguarda há três anos por uma prótese funcional que possa facilitar suas atividades diárias e devolver parte da qualidade de vida perdida com a amputação.
Este ano, o Tribunal de Justiça de Pernambuco negou o pedido de indenização feito por Kaylanne contra o estado e a Prefeitura de Jaboatão dos Guararapes. O tribunal entendeu que o risco de ataques de tubarão no litoral do Grande Recife é amplamente conhecido e que a ausência de aviso em um ponto específico não caracteriza falha da administração pública.
A jovem solicitava pensão provisória e a prótese funcional, estimada em até R$ 1 milhão. A defesa de Kaylanne pretende recorrer da decisão.
Atualmente, Kaylanne é paratleta e vice-campeã brasileira sub-20 no arremesso de peso. Ela afirma que, apesar das dificuldades, adquiriu coragem, maturidade e encontrou apoio em pessoas ao seu redor.
Casos recentes de ataques
Este ano, duas outras vítimas foram atacadas na mesma região. João Lucas Nemézio Sales, 11 anos, e Marcela Vitória de Lima Santos, 19, foram vítimas dos ataques número 83 e 84 registrados na região.
João Lucas sofreu amputação da perna esquerda após ataque de um tubarão-cabeça-chata na Praia de Piedade. Menos de 24 horas depois, Marcela Vitória foi atacada por um tubarão-tigre na Praia de Boa Viagem, sofrendo lesões graves e também tendo membro amputado.
