NICOLA PAMPLONA
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS)
O presidente do conselho da Vale, Daniel Stieler, afirmou que a pressão da Previ, fundo de previdência do Banco do Brasil, para tirá-lo do cargo desrespeita as regras internas e enfraquece a administração da mineradora. Ele também acusa a Previ de usar seu poder de voto de maneira inadequada.
A decisão sobre a presidência será tomada em assembleia no dia 22 de julho. A Previ pediu a saída de Stieler no dia 11, motivada pelo desejo de aumentar a independência do conselho e melhorar a gestão da empresa.
Stieler foi indicado pela Previ para o conselho em 2021, mas recusou deixar o cargo antes do término do mandato, que vai até 2027. Seus apoiadores afirmam que o pedido tem razões políticas, o que a Previ nega.
Em nota, a Previ afirmou que a proposta faz parte do seu papel como investidora institucional, comprometida em garantir fiscalização e promover boas práticas de governança, independentes e sem interferências.
Numa reunião recente do conselho, Stieler defendeu que a principal questão é avaliar se a mudança de liderança traria mais benefícios do que riscos, já que a empresa está em um momento estratégico positivo.
Ele destacou que os acionistas devem votar no interesse da companhia e que um pedido de saída sem fatos consistentes pode ser um uso indevido de poder.
Stieler ressaltou que a Vale teve resultados positivos sob sua direção e que a justificativa da Previ para a troca é contraditória, pois as regras de avaliação foram ignoradas, o que enfraquece a governança da empresa.
Ele ainda declarou que a Previ não teria direito a indicar dois membros no conselho, pois sua participação na mineradora caiu para 7,01%. Stieler se considera independente, sem ligação com grandes acionistas.
Com um voto contra e três abstenções, o conselho recomendou aos acionistas rejeitar a saída de Stieler, destacando avanços na governança e melhorias estratégicas da empresa nos últimos anos.
Os acionistas também recomendaram rejeitar os indicados da Previ para os cargos, caso a saída ocorra. A Previ quer que a cadeira de Stieler seja ocupada por José Maurício Coelho e a presidência passe para Manuel Lino Oliveira, o Ollie. O conselho sugere votar em Ieda Gomes, que já foi avaliada pela governança, diferente de Coelho. Para a presidência, não há indicação oficial, mas Marcelo Gasparino se candidatou.
Essa troca faz parte da renovação do conselho, cujo mandato termina em 2027. A Previ busca maior independência para garantir que a sucessão seja legítima e consistente.
A Previ nega motivações políticas e afirma que não planeja indicar candidato à presidência em 2027. A fundação sempre foi vista como um braço de influência do governo na mineradora.
Em 2024, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tentou colocar o ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega, na liderança da empresa. Lula tem criticado publicamente a mineradora, por atrasos em acordos sobre os danos de Brumadinho e contratações no exterior.
