As delações premiadas, base central da Operação Lava Jato, voltaram a ganhar destaque no caso Master. Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), atualmente preso pela Polícia Federal na operação Compliance Zero, corre para fechar um acordo de delação antes de Daniel Vorcaro. O empresário Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, também está em negociação com a Justiça.
Na Lava Jato, mais de 110 colaborações premiadas foram homologadas entre 2014 e 2021, resultando em multas que somaram cerca de R$ 784 milhões. Para o caso Master, espera-se um número menor de delatores, mas com grande volume de material para análise dos investigadores.
Daniel Vorcaro está um passo à frente de Paulo Henrique Costa na delação. Há pouco mais de um mês, ele assinou termo de confidencialidade com a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República e tem se reunido com sua equipe de advogados para apresentar provas da fraude financeira e dos envolvidos.
A defesa de Paulo Henrique Costa demonstrou total disposição para colaborar e pretende solicitar a transferência dele do Complexo Penitenciário da Papuda para a Superintendência da Polícia Federal em Brasília, visando formalizar o acordo de delação.
Recentemente, a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal manteve a prisão preventiva de Paulo Henrique Costa. Ele foi acusado de receber R$ 146 milhões em propina para favorecer interesses do Banco Master em negócios com o BRB.
Entenda a relação entre o BRB e o Master
- O Conselho de Administração do BRB aprovou a aquisição de 58% do capital total do Banco Master.
- A Justiça inicialmente barrou a compra, mas revogou essa decisão posteriormente.
- O Banco Central vetou a aquisição.
- A Polícia Federal investiga um suposto esquema bilionário de fraudes envolvendo venda de títulos de crédito sem lastro pelo Master.
- Em depoimentos, Daniel Vorcaro e Paulo Henrique Costa divergiram sobre a origem de carteiras vendidas ao BRB.
- Documentos indicam negociação de seis imóveis no valor de R$ 146,5 milhões parte de supostas propinas ao ex-presidente do BRB.
- Investigação aponta que o executivo teria desrespeitado práticas de governança e autorizado operações sem garantias.
Paulo Henrique Costa contratou novos advogados para conduzir a colaboração: os criminalistas Davi Tangerino e Eugênio Aragão. Eles substituem Cleber Lopes, que também defende o ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha, evitando conflito de interesses, já que o político pode ser citado na delação.
Paulo Henrique Costa tem acelerado para fechar o acordo antes de Daniel Vorcaro em busca de benefícios maiores. Para aceitar a delação, ele precisa apresentar informações inéditas e entregar pessoas superiores no esquema criminoso.
A colaboração de Paulo Henrique Costa pode enfraquecer o processo contra o dono do Master, exigindo que este apresente novos dados para a Polícia Federal e Procuradoria-Geral da República.
Para o advogado Guilherme Alonso, a celebração de acordos, mesmo em grande volume, beneficia as autoridades. Segundo ele, se várias pessoas apresentam provas além da própria confissão, o que caracteriza um acordo de colaboração, a investigação ganha força com indícios adicionais de crime.
