O dólar à vista teve variações pequenas e terminou a sessão desta sexta-feira, 24, em queda de 0,11%, cotado a R$ 4,9982. A redução da apreensão global, impulsionada pela expectativa de novas negociações de paz entre os EUA e o Irã no Paquistão neste fim de semana, ajudou na queda da moeda americana.
Depois de uma forte valorização do real que levou o dólar ao menor valor em mais de dois anos, o mercado de câmbio local apresentou alguma instabilidade nos últimos dias, com alguns investidores realizando lucros e ajustes técnicos. Além disso, houve aumento das preocupações fiscais devido às medidas do governo para conter o aumento dos preços dos combustíveis, o que pode ter elevado temporariamente os prêmios de risco da moeda.
Mesmo assim, operadores não observaram pressão significativa nos contratos futuros de dólar e no cupom cambial de curto prazo. O Banco Central havia anunciado uma operação denominada “casadão”, oferecendo US$ 1 bilhão em swaps cambiais reversos e vendendo US$ 1 bilhão em moeda à vista, mas não aceitou nenhuma proposta nos leilões realizados nesta sexta-feira.
O gerente de câmbio da Treviso Corretora declarou que o anúncio do leilão pode ter sido uma tentativa de evitar estresse no mercado cambial diante da possibilidade de menor apetite ao risco e fluxo financeiro mais fraco, e que o resultado indica que o BC não aceitou os prêmios pedidos pelos investidores.
Apesar da leve valorização de 0,30% do dólar em relação ao real nesta semana, o real acumula uma queda de 3,48% em abril e uma valorização de 8,94% no ano, sendo a moeda com melhor desempenho entre as principais moedas líquidas em 2026.
O índice DXY, que mede o comportamento do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes, caiu aproximadamente 0,20% ao longo do dia, fechando próximo à mínima de 98,502 pontos, e encerra a semana com um ganho de cerca de 0,30%, embora apresente queda superior a 1,30% em abril.
A Casa Branca confirmou que os enviados especiais dos EUA, Steve Witkoff e Jared Kushner, viajarão ao Paquistão no sábado para reuniões com autoridades iranianas. Se as negociações forem positivas, poderá haver um encontro entre as partes no domingo.
Os preços do petróleo recuaram, com o contrato do Brent para junho fechando em baixa de 0,22%, cotado a US$ 99,13 o barril. Contudo, na semana, o petróleo avançou mais de 10%, refletindo as incertezas provocadas pelo conflito no Oriente Médio e pelo tráfego no Estreito de Ormuz.
Especialistas apontam que o cenário internacional continua influenciando fortemente a taxa de câmbio no curto prazo, apesar de possíveis oscilações ocasionais causadas por fatores internos. Recentemente, o anúncio de uma proposta para usar receitas extras do petróleo para aliviar a tributação sobre combustíveis gerou alguma preocupação no mercado.
Viviane Las Casas, da Valor Investimentos, comentou que o mercado recebeu a proposta com relativa tranquilidade, mantendo o dólar próximo a R$ 5,00, e destacou que o principal ponto de atenção permanece sendo a situação fiscal, ainda que a expectativa seja que as medidas sejam temporárias, vinculadas ao desenvolvimento do conflito no Oriente Médio.
Mercado de ações
O índice Ibovespa operou em baixa nesta sexta-feira, fechando em 190.745 pontos, queda de 0,33%, acumulando perdas em três pregões consecutivos e reduzindo-se das máximas históricas recentes. Na semana, o índice registrou uma perda de 2,55%. No acumulado do mês, apresenta alta de 1,75%, e no ano, valorização de 18,38%. O volume financeiro no dia atingiu R$ 24,9 bilhões, com o fechamento no nível mais baixo desde o início de abril.
A analista Bruna Sene, da Rico, destacou que o otimismo inicial com a possibilidade de paz no Oriente Médio deu lugar ao pessimismo devido ao fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã, o que impulsionou o preço do petróleo e fortaleceu o dólar, pressionando os ativos de risco.
As ações da Petrobras seguiram a tendência negativa da commodity, com quedas nos papéis ON e PN. A Vale ON caiu levemente, acompanhando o impacto do setor financeiro, com destaque para a baixa do Banco do Brasil ON, enquanto o Itaú PN apresentou leve alta.
Entre os papéis que mais se valorizaram no Ibovespa estão Hapvida, Usiminas e Braskem, enquanto Brava, Vamos e Cury ficaram entre os que mais recuaram.
O analista Felipe Cima, da Manchester Investimentos, ressaltou que apesar do retorno das conversas entre EUA e Irã ser positivo, não há sinais claros de avanço para a paz, e o aumento no preço do petróleo tem impactos negativos no panorama macroeconômico, influenciando as expectativas inflacionárias.
Matheus Spiess, da Empiricus Research, comentou que o mercado continua dependente dos desdobramentos no Oriente Médio, apesar do lado americano ter demonstrado menor pressa na prorrogação do cessar-fogo.
Além das questões macroeconômicas, bons resultados corporativos, especialmente no setor de semicondutores, têm impulsionado índices como o S&P 500 e Nasdaq a novas máximas históricas, mesmo com o Dow Jones fechando em baixa.
A estrategista de investimentos Rachel de Sá, da XP, observou que a semana foi marcada por oscilações na percepção de risco global, com destaque para resultados trimestrais positivos que atraem atenção do mercado.
Juros futuros
Os contratos futuros de juros negociados na B3 apresentaram alívio na última sessão da semana, impulsionados pela expectativa de resolução do conflito no Oriente Médio devido à viagem dos negociadores dos EUA e Irã ao Paquistão. No entanto, a cautela com possíveis desdobramentos negativos manteve as taxas estáveis no dia.
Os contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027, 2029 e 2031 recuaram levemente no ajuste do dia, mas acumulam alta nas últimas semanas.
Os contratos futuros de petróleo fecharam em baixa nesta sexta-feira, com a possibilidade de retomada das negociações entre EUA e Irã impulsionando o mercado. As conversas devem ocorrer neste fim de semana no Paquistão.
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que o Irã pretende entregar uma proposta para atender exigências americanas, embora não tenha detalhes sobre o conteúdo, e ressaltou a dispersão das lideranças iranianas.
O diretor de análise da ZERO Markets Brasil, Marcos Praça, resumiu a sessão como de cautela e pouca movimentação, enquanto o especialista em investimentos Bruno Shahini, da Nomad, destacou que a redução do prêmio de risco geopolítico e a queda nos rendimentos dos Treasuries ajudaram a enfraquecer o dólar e aliviaram expectativas locais de juros.
Na próxima semana, o foco do mercado deve voltar para questões domésticas, com a decisão de juros do Comitê de Política Monetária (Copom) prevista para quarta-feira, quando a maioria dos analistas projeta um corte de 0,25 ponto percentual na Selic.
Fonte: Estadão Conteúdo
