Os ataques dos Estados Unidos e Israel atingiram diretamente a Embaixada do Brasil em Teerã, capital do Irã, conforme mostram documentos oficiais obtidos via Lei de Acesso à Informação (LAI).
Antes da guerra, o embaixador brasileiro no Irã, André Veras Guimarães, relatava atualizações sobre negociações nucleares entre Irã e EUA na Suíça. Em 27 de fevereiro, ele destacou um encontro entre os dois países, com o chanceler iraniano Abbas Araghchi considerando as negociações mais sérias e com maior consenso.
No entanto, no dia seguinte, a guerra começou com bombardeios em Teerã. Conforme informado pelo embaixador André Veras Guimarães, cerca de 33 locais foram atacados, incluindo órgãos do governo iraniano, sem relatos de vítimas naquele momento.
Outras cidades do Irã, como Bandar Abbas, Kermanshah, Qom e Isfahan, também foram bombardeadas. O Irã retaliou atacando bases militares dos EUA em países do Golfo Pérsico.
Contexto do conflito
- A guerra começou em 28 de fevereiro após bombardeios em Teerã.
- Os EUA e Israel justificaram a ofensiva pelo programa nuclear iraniano.
- O aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã, morreu no primeiro dia da guerra, sendo sucedido pelo filho Mojtaba Khamenei.
- O Irã respondeu com ataques contra bases norte-americanas e bloqueou o Estreito de Ormuz, por onde passa grande parte do petróleo mundial.
- O presidente dos EUA, Donald Trump, chegou a ameaçar ações duras, mas depois decretou um cessar-fogo temporário, estendido depois por tempo indeterminado enquanto pressionava por negociações.
Impactos na embaixada
A guerra trouxe consequências burocráticas, como o feriado nacional decretado no Irã após a morte de Ali Khamenei, que manteve instituições fechadas por sete dias. O embaixador brasileiro solicitou o adiantamento dos salários dos funcionários iranianos para o período.
Em 16 de março, a embaixada foi atingida durante bombardeios que atingiram principalmente bancos e delegacias em Teerã, mas sem grandes danos. Apesar dos ataques, a população seguia com sua rotina, preparando-se para o Ano Novo iraniano e frequentando mercados, inclusive o Grande Bazar.
Situação dos brasileiros no país
No final de março, o embaixador André Veras Magalhães informou ao governo brasileiro que ainda havia cerca de 65 brasileiros no Irã, principalmente mulheres casadas com iranianos, diplomatas, expatriados e profissionais do futebol. Quinze brasileiros já haviam deixado o país pela fronteira com a Turquia.
Apesar do conflito, a embaixada declarou não ter planos de evacuar brasileiros, porém preparou uma estratégia de fuga caso necessário, que consistia em deslocá-los por ônibus ou van até a Turquia ou Armênia.
O Itamaraty afirmou que a Embaixada do Brasil em Teerã continuou funcionando normalmente durante o conflito, com o corpo diplomático permanecendo na capital e atendendo as demandas.
