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segunda-feira, 27/04/2026

Intolerância religiosa no DF aumenta 350% em menos de uma década

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Registros de crimes motivados por preconceito aumentaram no Distrito Federal na última década, aponta a Polícia Civil do DF (PCDF). Os casos de discriminação baseada em religião têm se destacado entre estas ocorrências.

Em 2017, foram registrados 16 casos de discriminação religiosa pela PCDF. Já em 2025, esse número subiu para 73, representando um aumento de 356%.

Esses dados, fornecidos pela PCDF, foram obtidos via Lei de Acesso à Informação (LAI) pelo site Metrópoles. O levantamento cobre o período de 2017 a março de 2026.

Somente no início de 2026 (de janeiro a março), já foram registradas 20 ocorrências de discriminação religiosa, um número superior ao total registrado em 2017 e também maior que os números dos anos seguintes até 2020.

Além da discriminação religiosa, outros tipos de crimes motivados por preconceito também cresceram. A injúria racial, por exemplo, teve seu número de registros mais que o dobrou, passando de 431 em 2017 para 870 em 2025, um aumento de 101,8%.

O aumento dos casos foi especialmente acentuado entre 2020 e 2021, quando as ocorrências subiram de 432 para 596, e continuaram crescendo nos anos seguintes.

Casos de injúria contra idosos e pessoas com deficiência também tiveram alta, com 155 registros em 2017 e 212 em 2025, já somando 61 relatados nos primeiros meses de 2026.

Marco Farah, delegado da PCDF, comenta que o aumento desses números revela um “extremismo cotidiano” na população brasiliense, destacando que, apesar da injúria racial ser o tipo mais frequente, a intolerância religiosa é a que cresce de forma mais rápida proporcionalmente no DF.

O delegado também ressalta que o número maior de denúncias não necessariamente indica que a sociedade está mais racista ou intolerante, mas sim que a população está mais consciente de seus direitos e mais corajosa para denunciar esses crimes.

Casos recentes de intolerância religiosa

Exemplos recentes evidenciam esse aumento da intolerância. Em janeiro deste ano, a Tenda Espírita Pai Benedito do Congo sofreu dois ataques com pedras durante rituais religiosos, causando danos à estrutura do local.

Outro caso em março de 2022 envolveu um pastor evangélico armado que invadiu o terreiro Ilê Axé Omò Orã Xaxará de Prata, na zona rural de Planaltina, destruindo imagens religiosas do local.

Em 2016, cinco pessoas foram indiciadas por atear fogo no Centro Espírita Auta de Souza, em Sobradinho II, um crime que também foi motivado por intolerância religiosa, segundo o Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT).

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