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domingo, 26/04/2026

Empresa da família Vorcaro movimentou R$ 1 bi tentando esconder dinheiro, afirma relatório

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JOÃO GABRIEL E LUCAS MARCHESINI
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)

Uma empresa ligada à família de Daniel Vorcaro, chamada Multipar, movimentou mais de R$ 1 bilhão em cinco anos entre contas associadas ao dono do Banco Master. O Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) apontou que essa movimentação sugere uma tentativa de ocultar o patrimônio.

Um relatório do Coaf, que abrange dados de 2020 a 2025, período em que o banco Master foi estruturado, indicou troca de recursos entre empresas e pessoas do grupo, o que pode representar uma tática para dificultar o rastreamento do dinheiro.

Durante esse período, foram movimentados R$ 1,07 bilhão pela Multipar, sendo quase todo o valor detalhado no relatório, incluindo origem e destino dos recursos.

Pelo menos 93% dessas quantias vieram de ou foram destinadas a empresas e pessoas próximas a Vorcaro ou ao seu banco, incluindo companhias, holdings e fundos de investimento com sócios ligados à família ou ao grupo.

O Banco Master recebeu diretamente R$ 5,8 milhões da Multipar.

A assessoria do grupo Vorcaro optou por não comentar o caso. O advogado Eugênio Pacelli, representando Henrique Vorcaro, presidente da Multipar e pai do ex-banqueiro, afirmou que todas as transações são contabilizadas, legais e transparentes.

Daniel Vorcaro está preso, investigado por suspeita de fraude bilionária no mercado financeiro por meio do Banco Master. Seu cunhado, Fabiano Zettel, ex-pastor, também está detido sob suspeita de envolvimento.

As investigações indicam que o grupo usou diversas empresas de fachada e fundos para transferir ativos entre si e inflar artificialmente o valor das empresas e do banco, sem lastro real.

O esquema da Multipar reflete essa prática, circulando dinheiro dentro de um grupo restrito de empresas conectadas, o que gerou alerta dos órgãos financeiros.

Foram identificadas cerca de 10 mil transações entre aproximadamente 30 empresas relacionadas à família ou ao Banco Master.

O relatório destaca o fundo GFS, que recebeu R$ 47 milhões da Multipar e devolveu R$ 15 milhões. GFS é administrado pela Reag, também gestora de fundos suspeitos de fraude envolvendo ativos e patrimônio do banco.

A Multipar, uma holding de instituições não financeiras, é composta por Henrique Vorcaro, presidente, e Natália Vorcaro, irmã do ex-banqueiro e esposa de Fabiano Zettel.

A Folha tentou contato com Natália sem sucesso.

Eugênio Pacelli criticou a divulgação seletiva de partes de documentos sigilosos, alegando que isso distorce os fatos e prejudica o processo legal.

O relatório registra movimentações relevantes entre empresas do mesmo grupo, sugerindo uso das contas como canal para transferências internas.

A empresa comprou uma fazenda no Amazonas, irregular e com alegação de calote pelo ex-dono, onde fez um projeto de estoques de carbono, diferentes de créditos de carbono, revendidos com valor inflado para empresas usadas para aumentar o patrimônio de fundos geridos pela Reag.

Essas transações entre Alliance e Multipar reforçam o padrão de movimentação de recursos dentro do mesmo grupo econômico.

Alliance Participações e Multipar possuem mesma estrutura societária e área de atuação, ambas são holdings.

A Multipar transferiu R$ 51,4 milhões para Alliance e recebeu R$ 27,1 milhões de volta. A Hebron Participações, principal parceira da Multipar e também ligada a Henrique Vorcaro, também realizou grande volume de transações com a Multipar, totalizando centenas de milhões de reais.

Hebron foi a maior repassadora e receptora de dinheiro para a Multipar nesse período.

Alliance está no centro da suposta fraude de R$ 45 bilhões em ativos ambientais da família.

Eugênio Pacelli negou irregularidades nos ativos de carbono, afirmou que o projeto foi feito por terceiros e que Henrique Vorcaro tomará medidas para ressarcimento dos investimentos.

O relatório indica que a Multipar também fez transferências milionárias para contas pessoais da família. Henrique Vorcaro recebeu R$ 14,7 milhões e devolveu R$ 1,4 milhão para sua empresa; Natália recebeu R$ 6,4 milhões e devolveu R$ 1,9 milhão.

A mãe de Daniel Vorcaro, Aline Vorcaro, recebeu R$ 20,9 milhões em sua conta, o maior valor entre os CPF beneficiados. A Folha não conseguiu contato com ela.

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