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Infecções comuns no paciente com diabetes

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Saiba porque algumas infecção são mais frequentes e/ou mais graves em pacientes com diabetes mellitus

Por quais motivos o paciente com diabetes mellitus é mais propenso a adquirir infecções? Por que motivo essas infecções se revestem de maior gravidadenesses pacientes? Quais são as infecções mais comumente encontradas em pacientes com diabetes? Quais são as peculiaridades dos aspectos epidemiológicos e clínicos do paciente diabético que desenvolve infecção? Como se pode prevenir as complicações infecciosas em pacientes com diabetes mellitus?

A maioria dos clínicos tem conhecimento que doenças infecciosas ocorrem com maior frequência e/ou são mais graves em pacientes com diabetes, muitas vezes associando-se a incrementos nos índices de morbimortalidade. Uma série de evidências ‘in vitro’ demonstra que tal associação correlaciona-se a uma série de fatores consequentes ao ambiente hiperglicêmico, que caracterizam o paciente com diabetes mellitus, dentre os quais podemos ressaltar:

  1. A atividade funcional dos neutrófilos encontra-se comprometida: evidencia-se em ambientes hiperglicêmicos redução da mobilização de leucócitos polimorfonucleares (PMN), assim como também se caracterizam deficiências em sua quimiotaxia e atividade fagocítica. Além disso, nesse mesmo ambiente observa-se inibição da atividade enzimática da glicose-6-fosfato-dehidrogenase e da transmigração transendotelial dos PMNs, ao mesmo tempo em que se eleva seu índice de apoptose. A atividade funcional dos linfócitos CD4 também se encontra prejudicada em pacientes nos quais o índice de hemoglobina glicada esteja acima de 8,0%.
  2.  Depressão dos sistemas antioxidantes: nos tecidos nos quais a presença de insulina não se faz necessária para o transporte de glicose, o ambiente hiperglicêmico circunjacente acarreta incremento nos níveis intracelulares de glicose, à qual é então metabolizada através do emprego de NADPH como co-fator. Destarte, o decréscimo nos níveis de NADPH acaba por impedir a regeneração de moléculas que têm papel fundamental nos mecanismos anti-oxidativos no interior da célula, acarretando por consequência elevação na suscetibilidade celular ao estresse oxidativo.
  3. Comprometimento da imunidade humoral: tanto o sistema de ativação do complemento como a atividade funcional dos anticorpos podem se mostrar comprometidos em pacientes com diabetes. Dessa forma, alguns estudos demonstraram deficiência do componente C4 do complemento, enquanto outros demonstram que tal deficiência pode ser decorrente da disfunção dos PMNs. No que tange à produção de anticorpos, observa-se em pacientes diabéticos glicosilação da molécula de imuneglobulina, que se incrementa paralelamente à elevação dos níveis de Hb glicosilada, fato que pode acarretar seu
    comprometimento funcional.
  4. Redução na produção de interleucinas: os macrófagos e monócitos de pessoas com diabetes secretam menor quantidade de interleucina 1 (IL-1) e IL-6 em resposta ao estímulo de lipopolissacarídeos, aparentemente em decorrência da presença de defeito intrínseco nas células do paciente diabético. Por outro lado, incremento na glicosilação pode vir a inibir a produção de IL-10, Fator de Necrose Tumoral (TNF) e interferon-gama pelas células mieloides. Da mesma forma, essa elevada glicosilação acarreta redução da expressão na superfície de células mieloides do complexo de histocompatibilidade (MHC) classe I e, por conseguinte, prejudicando todo encadeamento da resposta imunológica iniciada pela interação dos antígenos com esse complexo MHC.

Como consequência desses distúrbios anteriormente mencionados, uma série de infecções é mais comumente evidenciada ou se expressa com maior gravidade em pacientes diabéticos. Na seguinte tabela encontram-se enumerados os riscos relativos para o advento de infecção em um paciente diabético quando se o compara a um paciente sem diabetes. Como pode ser observado, alguns tipos de infecções são caracteristicamente mais observadas em pacientes com diabetes, dentre as quais podemos ressaltar:

Incremento no risco de infecção associado ao diagnóstico de diabetes mellitus:

Diagnóstico Incremento do Risco Frequência em população por diabéticos (por 100.000)
Todas doenças infecciosas 1,21 46,048
Infecções de tratamento ambulatorial Incremento do Risco Frequência em população por diabéticos (por 100.000)
Infecções do trato respiratório alto 1,18 28.454
Cistite 1,39 5.491
Pneumonia 1,46 4.919
Celulite 1,81 4.626
Infecções intestinais 1,50 4.087
Otite externa 1,14 1.734
Micose superficial 1,38 1.396
Infecções genitais em homens 0,89 1.340
Otite média 1,21 1.071
Herpes zoster 1,16 816
Hepatite virótica 1,49 682
Pielonefrite 1,95 486
Tuberculose 1,12 344
Osteomielite 4,39 340
Herpes simplex 0,92 253
Infecções trato genital feminino 1,16 234
Mononucleose 1,60 150
Abscesso retal 1,97 144
Mastoidite 1,06 99
Artrite infecciosa 1,72 98
Infecção HIV 0,96 57
Doenças infecciosas com hospitalização Incremento do Risco Frequência em população por diabéticos (por 100.000)
Sepse 2,45 539
Infecções pós-cirúrgicas 2,02 283
Infecções vias biliares 1,60 173
Peritonite 1,94 93
Apendicite 1,19 62

Infecções do trato respiratório

Dentre as infecções do trato respiratório, destacam-se as infecções por Streptococcus pneumoniae e pelo vírus influenza. Deve-se salientar o dado de que durante os surtos anuais de infecção por influenza, há seis vezes mais chance de que um paciente com diabetes venha a requerer internação hospitalar quando comparado à população normal. A despeito do fato de que essas duas infecções são preveníveis pelo emprego de vacinas, é lastimável que seu emprego em pacientes com diabetes não faça ainda parte da prática médica da maioria dos responsáveis por esses pacientes; recomendam as normas de boas práticas clínicas, que se implemente expressivamente a administração desses agentes imunizantes.

A vacina anti-pneumocócica preferível é aquela composta por 23 polissacarídeos que induziriam imunidade contra os sorotipos mais comumente associados à doença invasiva; a mesma deveria ser repetida a cada 5 anos. Já a vacina contra influenza deve ser administrada anualmente.

Infecções de Pele e Partes Moles (IPPM)

Pacientes com diabetes mellitus são mais predispostos a desenvolver infecções da pele e partes moles tais como: foliculites, furunculoses e abscessos. Tais infecções muitas vezes se correlacionam à colonização das narinas por Staphylococcus aureus, que se constituem muitas vezes em verdadeiros nichos ecológicos dessas bactérias. Até 25% dos adultos podem ser carreadores deste micro-organismo em suas narinas.

Pacientes diabéticos, assim como aqueles submetidos à diálise, usuários de drogas injetáveis, portadores de doenças dermatológicas, infectados pelo vírus da imunodeficiência humana apresentam maior incidência de colonização que a população geral. Principalmente no ambiente hospitalar, mas também fora dele, muitas vezes essa colonização se dá por intermédio de cepas multiresistentes dessa bactéria.

As IPPMs podem sobrevir durante o transcurso da doença, mas muitas vezes constituem-se na primeira manifestação clínica da mesma; outra característica relevante é que as mesmas comumente se expressam com maior gravidade nessa população de pacientes.

Algumas IPPMs merecem ser consideradas à parte:

  • Infecções dos pés (“o pé diabético”): representam a mais importante complicação crônica observada em pacientes diabéticos, constituindo-se em expressiva causa de internação hospitalar e muitas vezes levando à necessidade de amputações e osteomielites. Pode ser causa importante de óbito nesses pacientes.As infecções dos pés diabéticos têm apresentação clínica muito variável e, como muitas vezes, se associam à neuropatia periférica; os sinais e sintomas clínicos de processo infeccioso/inflamatório são pouco relevantes, levando muitas vezes ao diagnóstico tardio e sendo causa importante de detecção da doença em fases mais avançadas.Essas infecções podem ser algumas vezes polimicrobianas; não obstante, Staphylococcus aureus e Staphylococcus epidermidis são isolados em cerca de 60% dos casos em que se evidencia a presença de ulcerações; em 15% dos casos são identificados microorganismos anaeróbios, que nesses casos são considerados como coadjuvantes importantes desse quadro infeccioso.Essas IPPMs são na maioria das vezes a origem do processo que acaba ao final por acometer os ossos dos pés, evento clínico que dificulta em muito o tratamento clínico e muitas vezes leva à necessidade de amputação do pé comprometido.
  • Fasciíte necrotizante: caracteriza-se clinicamente por rápida e progressia necrose da fáscia e tecido subcutâneo, acabando por acarretar fulminante destruição focal do tecido acometido, além de trombose da microvasculatura. Trata-se de quadro na maior parte das vezes associado a expressivos sinais e sintomas de toxemia; o índice de letalidade situa-se ao redor de 40%.
  • Síndrome de Fournier: trata-se de fasciíte que acomete a genitália, principalmente masculina, sendo predominantemente de origem polimicrobiana, com anaeróbios constituindo-se agentes muito relevantes. Mais de 70% dos pacientes com essa síndrome são diabéticos; é quadro muito grave, que requer ampla e agressiva abordagem cirúrgica, muitas vezes extremamente mutiladora.

Infecções do Trato Urinário

As infecções do trato urinário (ITU) ocorrem com maior frequência e também se apresentam revestidas de maior gravidade em pacientes com diabetes mellitus, assim como também são mais comumente correlacionadas à complicações. Os fatores mais frequentemente associados ao advento de ITUs em pacientes com diabetes são:

  • inadequado controle glicêmico;
  • tempo transcorrido desde o diagnóstico de diabetes mellitus;
  • presença de microangiopatia diabética;
  • presença de disfunção na atividade leucocitária;
  • concomitância de quadros recorrentes de vaginites;
  • alterações anatômicas e funcionais do trato genital.

Devemos ressaltar algumas peculiaridades nas manifestações clínicas das ITUs, a saber:

  • Bacteriúria assintomática: é mais comumente observada em mulheres; a perspectiva evolutiva para quadros de pielonefrites é tema de muita discussão na literatura médica, não havendo, por esse motivo, consenso quanto à necessidade do emprego de antibioticoterapia nesses casos.
  • Pielonefrite: ocorre com frequência 4-5 vezes maior em pacientes com diabetes mellitus, sendo Escherichia coli e Proteus sp. os agentes etiológicos mais observados. Conquanto os sinais/sintomas clínicos se assemelhem aos observados em pacientes não diabéticos, é mais comumente neles observados o acometimento renal bilateral. Como complicações mais comumente verificadas em pacientes diabéticos com pielonefrite, podemos mencionar: abscessos renais e/ou perinéfricos, pielonefrite enfisematosa e necrose das papilas renais.

Infecções do Trato Gastrintestinal

A maior prevalência e gravidade das infecções do trato gastrintestinal em pacientes diabéticos prende-se primordialmente às alterações na motilidade intestinal comumente neles observada. Dessa forma, gastroenterites comumente se manifestam mais frequentemente e com maior gravidade nessa população.

Outras infecções que podem também ser mais comumente observadas em pacientes com diabetes são: Gastrites causadas por Helicobacter pylori (dados controversos quanto à epidemiologia; maior dificuldade de erradicação); candidíase oral e esofágica (verificada principalmente em pacientes com pobre contrôle nos níveis glicêmicos) e colecistite enfisematosa (observada principalmente em pacientes do sexo masculino).

Nos últimos anos vem cada vez mais sendo valorizadas observações quanto à importância da microbiota humana na manutenção da saúde humana; distorções observadas em qualquer uma das diferentes funções dessa microbiota ou nos seus mecanismos de sinalização têm sido associados potencialmente à gênese de uma série de doenças, dentre elas se destacando doenças cardiovasculares, diabetes (associando-se a má coordenação da absorção de carboidratos e o consequente descontrole no controle glicêmico), doenças inflamatórias (incluindo-se doenças atópicas), doenças inflamatórias intestinais e até mesmo doenças neoplásicas.

Mais recentemente vários estudos têm correlacionado alterações na microbiota à obesidade, conquanto haja alguns outros que não evidenciaram tal associação. O que podemos concluir a partir de todos estudos é que indubitavelmente, a microbiota intestinal tem papel significativo no diferencial de energia obtido a partir da fermentação de fibras. Esses pequenos ganhos adicionais de energia, caso venham a ser absorvidos pelo hospedeiro, podem após algum tempo resultar em ganho de peso; além disso, alguns mecanismos sinalizatórios emitidos por bactérias dessa microbiota podem se correlacionar a uma maior capacidade de armazenamento de gordura.

Devemos também ressaltar que vários estudos clínicos e soroepidemiológicos têm corroborado o papel desempenhado pelos enterovírus na patogênese do diabetes mellitus tipo 1 (diabetes juvenil), em especial os vírus Coxsackie B4 e B3, quando os mesmos infectam indivíduos geneticamente predispostos. Tal associação pode ser deduzida pelas seguintes observações:

  • coincidência temporal entre ocorrência de diabetes mellitus tipo 1 e picos de incidência de infecções por enterovírus;
  • detecção de anticorpos anti-enterovírus no sangue de pacientes com diabetes tipo 1;
  • detecção de RNA de enterovírus e proteína da cápside (VP1) no sangue, biópsias de intestino delgado e amostras de pâncreas efetuadas à autópsia.

Os mecanismos que podem estar implicados nessa fisiopatogênese seriam:

  • infecção persistente das células beta do pâncreas, acarretando lise celular e liberação de antígenos sequestrados, o que acaba por desencadear resposta auto-imune;
  • mimetismo molecular (homologia parcial de algumas seqüências de aminoácidos) entre a proteína da cápside do vírus e a proteína IA2;
  • ativação de células T auto-reativas que se encontram ao redor do tecido pancreático acometido;
  • infecção do timo;
  • perda das células T reguladoras.

Outras infecções

devemos ressaltar também outras importantes associações entre infecções que acometem mais frequentemente e/ou de maneira mais severa pacientes com diabetes. Dentre elas enfatizamos:

  • Hepatite C: dados de inquéritos soroepidemiológicos efetivados em diferentes regiões geográficas dos mundo são todos concordes na caracterização da maior prevalência de diabetes em portadores de infecção pelo vírus C da hepatite (VHC): 13-33% dos pacientes com VHC têm diabetes, contrapondo-se à prevalência entre 4-10% na população sem diabetes. Caracterizamos, por conseguinte, prevalência cerca de 3 vezes maior de diabetes em pacientes com VHC e, portanto, diabetes pode ser considerada como manifestação extra-hepática dessa infecção. Além disso, pacientes com VHC que desenvolvem diabetes tendem a evoluir com doença hepática mais grave, associada a maior grau de fibrose, quando se os comparam a indivíduos infectados pelo VHC e que não desenvolveram diabetes. Todo paciente com infecção pelo VHC deve ser avaliado clinica e laboratorialmente para diabetes.
  • Infecção de cabeça e pescoço: as duas infecções mais graves que acometem pacientes com DM são otite externa invasiva e mucormicose rinocerebral. Também as periodontites são mais frequentes nesses pacientes e comumente se associam à maior gravidade.
  • Infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV): pacientes com infecção pelo HIV podem desenvolver diabetes como decorrência da própria infecção ou como conseqüência dos eventos adversos da terapêutica antiretrovirótica empregada. Nesses pacientes, diabetes é conseqüência predominantemente de resistência à insulina que, por sua vez, advém da secreção crônica de citocinas inflamatórias, apanágio de alguns pacientes com HIV. Em pacientes submetidos a tratamento antiretrovirótico, principalmente quando do emprego de drogas inibidoras da protease reforçadas pelo ritonavir, a incidência de diabetes é cerca de 4 vezes maior que a população normal. Todos pacientes infectados pelo HIV, em especial naqueles com história familiar da doença, devem ser monitorados muito proximamente quanto a diabetes e serem orientados quanto às formas mais adequadas para sua prevenção.
  • Tuberculose: pacientes com DM apresentam maior risco de contrairem tuberculose, sendo também evidenciado risco aumentado de terem bacilo com resistência a múltiplas drogas. O índice de letalidade por tuberculose é maior em pacientes com diabetes; a rifampicina, comumente empregada no tratamento dessa doença, apresenta múltiplas interações com drogas anti-diabéticas, dificultando em muito o manuseio clínicos de pacientes com essa associação de doenças.
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Butantan entrega à Anvisa documentos que faltavam para autorização da Coronavac

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Também presente em coletiva, Doria disse que as doses da Coronavac proporcionalmente reservadas a SP no plano nacional não deixarão o território do estado

O Instituto Butantan entregou na manhã desta sexta-feira todos os documentos que faltavam para a obtenção da autorização para uso emergencial da CoronaVac, vacina contra covid-19 do laboratório chinês Sinovac, e faltam apenas dois esclarecimentos que serão dados à agência reguladora nesta tarde, disse o presidente do Butantan, Dimas Covas.

Ele afirmou, durante entrevista coletiva no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo do Estado de São Paulo, que espera que a Anvisa autorize o uso emergencial da CoronaVac no domingo e que a vacinação contra covid-19 no país comece na próxima semana.

“Esses documentos que foram solicitados ao Butantan, todos foram entregues até a manhã de hoje. Neste momento existem dois questionamentos apenas que serão respondidos agora às 14h numa reunião técnica entre Butantan e Anvisa“, afirmou

“Portanto no domingo tenho convicção que teremos a autorização para uso emergencial”, acrescentou.

O governo de São Paulo também informou que está providenciando o encaminhamento de 4,5 milhões de doses da CoronaVac para um depósito do Ministério da Saúde em Guarulhos, como parte do lote inicial de 6 milhões de doses do imunizante que serão usadas no Programa Nacional de Imunização.

Também presente na coletiva, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), desafeto político do presidente Jair Bolsonaro com quem tem tido atritos por causa da CoronaVac e do combate à pandemia, disse que as doses da CoronaVac proporcionalmente reservadas a São Paulo no plano nacional não deixarão o território do Estado.

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Mercado privado prevê vacina no Brasil em março, mas só para empresas

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Setor encomendou 5 milhões de doses do laboratório indiano Bharat Biotech. Vacina ainda depende de registro na Anvisa

(Javier Zayas Photography/Getty Images)

O mercado privado de vacinas no Brasil prevê um imunizante contra a covid-19 disponível no país em março. Segundo o presidente da Associação Brasileira das Clínicas de Vacinas (Abcvac), Geraldo Barbosa, foram encomendadas 5 milhões de doses do laboratório indiano Bharat Biotech.

Cerca de 60% desse total devem estar em solo brasileiro na primeira remessa. Mas para que o cronograma seja cumprido, ainda é necessário o aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

“Eles nos deram o prazo de que vão submeter o registro no dia 15 de fevereiro e vamos sempre acompanhar. Eles já solicitaram o certificado de boas práticas da fábrica. Todos os cronogramas estão sendo cumpridos”, disse Barbosa.

Representantes do mercado privado de vacinas do Brasil foram até a Índia na semana passada para conhecer os processos de fabricação da chamada Covaxin. O laboratório indiano assinou um acordo com a empresa brasileira Precisa Medicamentos, para fazer a distribuição e venda no Brasil.

De acordo com Barbosa, o foco do mercado privado é atender empresas, que querem comprar uma vacina para os funcionários. E que neste primeiro momento não deve ser disponibilizado um imunizante em clínicas, vendido diretamente às pessoas. Veja os principais trechos da entrevista.

Como foi a inspeção da comitiva ao laboratório na Índia?

Quando assinamos o memorando de entendimento, colocamos que precisávamos ver in loco, a qualidade, se a vacina não era conflitante com o mercado público. A gente também queria saber como foram feitos os estudos de eficácia e qualidade. Eu posso dizer que fiquei impressionado com o investimento da Índia e a capacidade de tecnologia. Tem uma estrutura incrível, isso ficou bem evidente e realmente tudo o que falaram é muito maior. Saímos com mais certezas do que dúvidas.

O que ficou acordado?

O memorando foi ratificado. Agora, nós dependemos só do registro da Anvisa. Eles nos deram o prazo de que vão submeter o registro no dia 15 de fevereiro e vamos sempre acompanhar. Eles já solicitaram o certificado de boas práticas da fábrica. Todos os cronogramas estão sendo cumpridos. E está mantida a previsão de ter uma vacina no mercado privado em março.

Já há uma previsão, agora, de quanto vai custar cada dose?

Estamos cuidando do custo efetivo, que envolve seguro, a logística, barreiras regulatórios. Tudo isso será feito pelo laboratório e impacta no preço. Ainda não temos este valor. A questão do seguro não imaginávamos qual seria o valor. Os riscos envolvidos com a vacina contra a covid-19 fizeram aumentar o preço de um seguro em 300%, em média, se comparado com o seguro de uma outra vacina.

Quantas doses foram encomendadas? Como será a distribuição?

Nós solicitamos 5 milhões de doses e na visita pedimos doses adicionais. Mas eles nos informaram que só vão disponibilizar mais, após cumprirem todos os contratos com os governos. A distribuição será feita de forma escalonada, mas a gente espera receber 60% deste total já na primeira remessa.

O setor privado foi muito criticado por fazer uma negociação ao mesmo tempo do setor público. Como a associação avalia essas críticas?

Essa foi uma crítica muito superficial porque desconsidera que o nosso objetivo é ofertar para o mercado corporativo, que vai dar a vacina de forma gratuita para os seus funcionários. Claro que podemos distribuir para pessoas físicas, mas isso só vai ocorrer se tivermos doses adicionais, ou se sobrar. Vamos somar mais 2,5 milhões de brasileiros protegidos. Se o mercado privado pode contribuir, é mais do que justo. Todo mundo que criticou tem plano de saúde, tem algum plano de saúde suplementar, e não usa 100% o SUS. A nossa busca é suplementar o que o governo está fazendo.

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Profissionais de saúde recuperados da covid-19 estão protegidos, diz estudo preliminar

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Segundo os pesquisadores, 44 indivíduos foram reinfectados pela covid-19 em um total de 6.614 pessoas; anticorpos podem durar por até cinco meses

Saúde: profissionais da área podem ter anticorpos mais duradouros (Amanda Perobelli/Reuters)

Segundo os pesquisadores, 44 indivíduos foram reinfectados pela covid-19 em um total de 6.614 pessoas que, em testes, apresentaram anticorpos suficientes para uma proteção contra a doença por pelo menos cinco meses – de junho a novembro de 2020. Isso quer dizer que existe uma proteção de ao menos 83% em relação aos trabalhadores que não foram expostos ao vírus. O estudo é preliminar e ainda não passou pela revisão de pares.

Apesar disso, os pesquisadores britânicos alertam que alguns participantes, mesmo com um nível alto de anticorpos em seu organismo, continuam a disseminar o vírus para outras pessoas. “Agora sabemos que grande parte das pessoas que tiveram o vírus e geraram anticorpos estão protegidas contra reinfecção, mas essa proteção não é completa e ainda não sabemos quanto tempo dura. E, o mais importante, acreditamos que as pessoas podem continuar a transmitir o vírus”, resume a autora principal do estudo, Susan Hopkins.

Para chegar a essa conclusão foram analisados cerca de 20.800 profissionais de saúde, incluindo funcionários do hospital na linha de frente do atendimento de pacientes com covid-19, convidados a fazer diagnósticos regulares para verificar se ainda eram portadores do vírus ou se geraram anticorpos – um sinal de uma infecção mais antiga.

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Saúde

Estes dois fatores psicológicos podem reduzir a eficácia das vacinas contra covid-19

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Nem tudo está perdido: cientistas também apontam formas de driblar problemas no sistema imunológico causados por doenças psicológicas

Vacina: fatores psicológicos podem atrapalhar eficácia (Amanda Perobelli/Reuters)

Tanto o estresse quanto a depressão já são dois itens conhecidos na redução da imunidade humana, reduzindo a eficácia de outros imunizantes, principalmente na população mais velha. Os desafios, segundo os cientistas, foi intensificado por conta da pandemia, que forçou as pessoas ao isolamento e ao distanciamento social – que impactaram diretamente a saúde mental de alguns indivíduos.

“Em adição aos problemas físicos causados pela covid-19, a pandemia também causa problemas na saúde mental, causando ansiedade e depressão, bem como outros problemas. Estressores emocionais como esses podem afetar o sistema imunológico das pessoas, prejudicando a habilidade de o corpo se livrar de infecções”, afirmou Annelise Madison, uma das autoras da pesquisa.

Segundo ela, o estudo traz luz à eficácia da vacina e ajuda a entender “como os comportamentos de saúde e estressores emocionais podem alterar a habilidade do corpo humano de desenvolver uma resposta imune”. “O maior problema é que a pandemia pode estar amplificando esses fatores de risco”, disse.

As vacinas funcionam ao desafiar o sistema imunológico dos seres humanos e, após horas de uma vacinação, uma resposta imune é criada ao mesmo tempo em que o corpo começa a reconhecer uma ameaça biológica em potencial – todo esse processo leva a produção de anticorpos que lutam contra patógenos específicos. De acordo com a ciência, é a continuidade da produção desses anticorpos que determinam o quão eficaz uma vacina é a longo prazo.

Os imunizantes são uma das formas mais eficazes e seguras para proteger a sociedade de doenças – e não é de hoje que fatores como depressão, estresse e solidão estão diretamente ligados a uma piora no sistema imunológico das pessoas.

Mas existe um lado bom. Segundo os pesquisadores, as vacinas em circulação têm uma eficácia aproximada de 95% – e, mesmo que os fatores psicológicos desempenhem um papel negativo, é possível fazer algumas coisas para amplificar os efeitos da vacina. Exercícios físicos e uma boa noite de sono antes da vacinação pode ajudar a gerar uma resposta imune ainda mais forte. Nem tudo está perdido.

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Indonésia anuncia eficácia de 65,3% da CoronaVac e aprova uso emergencial

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Dados preliminares são de testes em estágio avançado. No Brasil, eficácia foi de 78% para casos leves e de 100% contra mortes, casos graves e internações

CoronaVac na sede da empresa Sinovac, na China (Thomas Peter/Reuters)

A Indonésia aprovou nesta segunda-feira, 11, o uso emergencial da CoronaVac, vacina contra covid-19 produzida pela chinesa Sinovac — e que no Brasil é desenvolvida em parceria com o Instituto Butantan. A agência reguladora do país também informou que o imunizante apresentou 65,3% de eficácia nos testes realizados no país, segundo resultados preliminares.

“Esses resultados atendem aos requisitos da Organização Mundial da Saúde de um mínimo de eficácia de 50%”, disse Penny K. Lukito, responsável pela agência reguladora de alimentos e medicamentos do país, BPOM.

Na semana passada, o Butantan informou que, nos testes feitos no Brasil, a Coronavac teve eficácia de 78% em casos leves e de 100% em casos moderados e graves — isto é, afirmando que nenhum dos vacinados precisou ser hospitalizado ou teve a doença de forma grave. Mas falta ainda a divulgação da eficácia geral nos testes brasileiros.

Com base em dados divulgados pelo diretor do Butantan, Dimas Covas, na semana passada, pesquisadores já estimam que a eficácia tenha sido na linha da Indonésia, de pouco mais de 60%.

A Indonésia já recebeu 3 milhões de doses da CoronaVac, e está programada para receber cerca de 122,5 milhões.

A Indonésia está enfrentando o pior surto de covid-19 no sudeste da Ásia e as autoridades estão contando com uma vacina para ajudar a aliviar as crises econômicas e de saúde que devastam o país. No total, 836.718 casos e 24.343 mortes por covid-19 já foram registrados no país.

O Butantan fez o pedido de registro emergencial da Coronavac junto à Anvisa na última sexta-feira, 8. No fim de semana, a Anvisa solicitou mais detalhes sobre a Coronavac, após o envio da documentação inicial. O secretário de Saúde paulista, Jean Carlo Gorinchteyn, disse que o material completo já havia sido enviado, mas que irá procurar a Anvisa na manhã de hoje. Na opinião de ex-presidentes da Anvisa ouvidos pelo Estadão, o pedido não coloca em risco a aprovação da vacina.

Após meses de embates, o governo federal anunciou que vai adquirir todo o estoque da Coronavac e incluir a vacina no Plano Nacional de Imunização. O governo federal comprou 46 milhões de doses da Coronavac, com parte do montante produzido no Butantan e parte importado, e distribuirá o imunizante a todos os estados de acordo com os grupos prioritários e população de cada lugar.

A outra vacina no Brasil mais próxima da aprovação é de AstraZeneca e Universidade de Oxford, testada em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que também teve o pedido de registro junto à Anvisa feito na sexta-feira.

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Saúde

Delegação da OMS vai à China esta semana para investigar origem do coronavírus

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Negociações para a visita estão em andamento há algum tempo. Não ficou claro se os especialistas da OMS vão viajar para Wuhan, onde o coronavírus foi detectado pela primeira vez

Pandemia derruba lucro dos bancos chineses (Aly Song/Reuters)

A China confirmou que um grupo de especialistas da Organização Mundial da Saúde (OMS) vai chegar ao país nesta quinta-feira, 14 para conduzir uma investigação sobre as origens da pandemia do coronavírus. Um comunicado de uma sentença da Comissão Nacional de Saúde chinesa afirmou que a delegação vai se reunir com as autoridades de saúde do país.

Não ficou claro se os especialistas da OMS vão viajar para a cidade de Wuhan, onde o coronavírus foi detectado pela primeira vez, no fim de 2019.

Negociações para a visita estão em andamento há algum tempo. O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, expressou frustração com o atraso na semana passada, dizendo que membros da equipe científica internacional partindo de seus países de origem já tinham iniciado a viagem como parte de um acordo entre a entidade e o governo chinês.

A China tem exercido um controle estrito de todas as pesquisas domésticas sobre a origem do vírus. A Austrália e outros países pediram uma investigação sobre a origem da pandemia.

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segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

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