LUIS ADORNO
SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS)
Dois policiais civis, Rogério de Almeida Felício e Eduardo Lopes Monteiro, que foram denunciados por Antônio Vinícius Lopes Gritzbach por ligação com o PCC (Primeiro Comando da Capital), se desentenderam e brigaram dentro do presídio da Polícia Civil há cerca de duas semanas. O UOL teve acesso a vídeos de interrogatórios feitos pela Polícia Federal, onde um delegado pergunta a cada um o que pensam do outro.
Eduardo Lopes Monteiro elogiou Rogério, conhecido como Rogerinho. Ele disse que eles trabalharam juntos, que Rogério foi seu subordinado em departamentos importantes e que nada tinha a reclamar dele. Segundo Eduardo, Rogério é um ótimo profissional que se dedicou intensamente a uma investigação e usou tecnologia avançada para provar que Vinícius era o mandante de um duplo assassinato.
Já Rogerinho falou de forma mais reservada sobre sua relação com Eduardo. Disse que trabalharam em setores diferentes, embora se conhecessem e que às vezes se encontravam casualmente, nada planejado. Sobre acusações de que Rogerinho teria roubado relógios de luxo de Gritzbach, ele negou dizendo ter apreendido uma caixa com vários relógios, mas que não mexeu nela. Apresentou à Corregedoria quatro relógios que possui, explicando que a maioria são réplicas. Apenas um relógio Rolex era original, supostamente presente do cantor Gusttavo Lima.
Eduardo Monteiro defendeu Rogerinho dizendo que na delegacia havia uma determinação de não investigar lavagem de dinheiro e que a caixa de relógios teria sido devolvida. Afirmou também que não sabe de nenhum policial que tenha pegado relógios e chamou as acusações de mentiras inventadas por Vinícius.
A Secretaria da Segurança Pública informou que nem a Corregedoria nem a direção do presídio receberam relatos oficiais sobre as agressões. Pessoas próximas aos policiais afirmaram que a briga ocorreu há cerca de duas semanas, motivada por descontentamento com um depoimento dado por Eduardo. Eduardo teria se machucado e precisou de atendimento.
Gritzbach confessou que Rogerinho teria pegado seus relógios de luxo com aval de Eduardo e de outro delegado durante uma busca. No total, oito policiais, um advogado e dois empresários foram presos por ligação com o PCC, incluindo a esposa de Rogerinho. Apenas um delegado responde ao processo em liberdade.
O Ministério Público pediu absolvição para um delegado e condenação para outros 11 acusados no caso. Gritzbach foi assassinado em novembro de 2024 no aeroporto de Guarulhos. Três policiais militares suspeitos do crime estão presos e devem ser julgados em breve.
As sentenças para os envolvidos são variadas, incluindo condenações por organização criminosa, peculato, corrupção, lavagem de dinheiro e tráfico de drogas. O MP também pediu a perda do cargo público dos policiais condenados.

