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Indústria de bebidas pressiona Planalto a retomar subsídio na Zona Franca

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Ao todo, 59 fabricantes de refrigerantes ameaçam cortar 15 mil empregos diretos caso seja mantido o decreto

Brasília – Escolhida para bancar uma parte do subsídio ao diesel para os caminhoneiros, a indústria de bebidas pressiona o governo para reverter a medida que retirou o benefício tributário para a fabricação do xarope dos refrigerantes na Zona Franca de Manaus.

Ao todo, 59 fabricantes de refrigerantes, entre elas as gigantes Coca-Cola, Ambev e Pepsi, ameaçam cortar 15 mil empregos diretos caso seja mantido o decreto do presidente Michel Temer que praticamente acaba com o incentivo fiscal. Segundo os fabricantes, com o decreto, há aumento de 8% nos preços dos refrigerantes para os consumidores, o que provocará recuo de 15% nas vendas, com queda de R$ 6 bilhões de faturamento e R$ 1,7 bilhão na arrecadação de impostos.

As empresas reclamam que, para garantir o subsídio de R$ 0,46 no preço do diesel – a bolsa caminhoneiro -, o governo provocou uma grande distorção na cadeia produtiva do setor ao “quebrar contrato” com as empresas que se instalaram no polo de fabricação do xarope de refrigerantes em Manaus em busca dos incentivos fiscais da Zona Franca.

Depois de ruralistas e exportadores, esse é mais um setor que reclama do impacto do pacote adotado pelo governo para atender os caminhoneiros. Reunidas na Associação Brasileira das Indústrias de Refrigerantes (Abir), as 59 empresas do setor montaram uma grande articulação política no Congresso para derrubar a medida. Três parlamentares da bancada do Amazonas – os senadores Vanessa Graziottin (PCdoB) e Eduardo Braga (MDB-AM), além do deputado Pauderney Avelino (DEM) – apresentaram um decreto legislativo para derrubar o decreto presidencial cada um. “Queremos a revogação já. Que o governo volte atrás”, disse Alexandre Jobim, presidente da Abir.

Segundo ele, o decreto “anula” o incentivo regional. “Compensa continuar com o polo de concentrados? A resposta da indústria é não. Não fica de pé a Zona Franca.” Eles já se reuniram duas vezes com o ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, que alegou distorções no sistema com o incentivo. Um das reuniões ocorreu na casa do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), com toda a bancada do Estado.

A Receita Federal prevê um aumento de R$ 740 milhões na arrecadação em 2018 e R$ 1,9 bilhão no ano que vem com o decreto. Esse dinheiro vai compor parte do custo de R$ 13,5 bilhões com o subsídio ao diesel.

A legislação permitia que fabricantes instalados na Zona Franca acumulassem créditos de IPI na venda de insumos produzidos na região para engarrafadores instalados em outros Estados. Esses créditos equivaliam a 20% do valor da venda. Com o decreto, caíram para 4%.

Para a Receita, o benefício provoca distorção e desequilibra a concorrência. Pelos cálculos do Fisco, para cada R$ 100 vendidos por uma empresa que produz na Zona Franca, R$ 4 sobram de crédito, o que funcionaria na visão da Receita como um forma de “dar dinheiro” para as empresas.

Na contramão da Abir, o grupo de empresas que não está na Zona Franca comemorou a decisão do governo. O presidente da Frente Parlamentar em Defesa da Indústria Brasileira de Bebidas, deputado Fausto Pinato (PP-SP), se mobiliza para impedir que o decreto seja derrubado. “Ele desaponta os gigantes do setor de bebidas e mexe na ferida do oligopólio.” O Ministério da Fazenda não comentou. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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Prévia de índice da FGV mostra que incerteza da economia diminuiu em julho

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Prévia de índice da FGV mostra que incerteza da economia diminuiu em julho

Reabertura do comércio em São Paulo: se o resultado for confirmado na divulgação final de julho, o IIE-Br terá devolvido em três meses de quedas 46% da alta (PATRICIA BORGES/Estadão Conteúdo)

O Indicador de Incerteza da Economia Brasileira (IIE-Br) caiu 7,3 pontos na passagem de junho para julho, segundo a prévia do indicador deste mês divulgada em edição extraordinária pela Fundação Getulio Vargas (FGV) nesta segunda-feira. Se confirmado o índice descerá a 166,3 pontos.

Se o resultado for confirmado na divulgação final de julho, o IIE-Br terá devolvido em três meses de quedas 46% da alta de 95,4 pontos observada nos meses de março e abril, em meio ao agravamento da crise provocada pela pandemia do novo coronavírus.

“Após a terceira queda consecutiva, o nível do IIE-Br de julho se aproxima do nível de março, de 167,1 pontos, primeiro momento em que o País precisou forçar paralisações e iniciar o isolamento social para conter o avanço da pandemia. As dificuldades de se prever cenários para o futuro da economia continuam muito grandes, como reflete o componente de Expectativas, que, no nível apurado nesta prévia, recuperaria, até julho, apenas 7% da alta ocorrida entre março e maio. Uma queda mais acelerada da Incerteza daqui para a frente dependerá da evolução da pandemia no País e da velocidade de normalização das atividades econômicas e do apaziguamento das tensões políticas, avaliou Anna Carolina Gouveia, economista do Instituto Brasileiro de Economia da FGV (Ibre/FGV), em nota oficial.

O IIE-Br é composto por dois componentes: o IIE-Br Mídia, que faz o mapeamento nos principais jornais da frequência de notícias com menção à incerteza; e o IIE-Br Expectativa, que é construído a partir das dispersões das previsões para a taxa de câmbio e para o IPCA.

O componente de Mídia recuou 7 pontos na prévia de julho, para 145,5 pontos. O componente de Expectativa caiu 5,6 pontos, para 222,4 pontos. No entanto, ambos ainda estão em patamares considerados extremamente elevados, com destaque para o de Expectativas, que permanece pelo quarto mês consecutivo acima dos 200 pontos, ressaltou a FGV.

A prévia do Indicador de Incerteza da Economia Brasileira coletou dados de 30 dias terminados em 9 de julho. O resultado fechado do mês será divulgado no próximo dia 31.

 

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Economia

O IMK é um dos acertos do governo

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O IMK atua em 6 áreas: infraestrutura, mercado de seguros e de previdência, garantias, tributos, instrumentos financeiros e ambiente de negócios

Roberto Campos: presidente do Banco Central é quem avalia os estudos do IMK (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Poucas vezes na história brasileira se viu um eleitorado tão polarizado como durante esses 18 meses de governo Bolsonaro. Para alguns, está tudo errado. Para outros, no entanto, o grau de acerto é total. Nesta guerra de narrativas, são muito poucos aqueles que conseguem enxergar equívocos e sucessos com isenção e equilíbrio. À parte a torcida contra ou a favor, pode-se dizer que um dos acertos que se enxerga nessa administração é o esforço em tentar modernizar algumas áreas que sofrem de atraso crônico há décadas.

Uma dessas ações, sem dúvida, é o IMK (Iniciativa Mercado de Capitais), que completou um ano no mês passado. Trata-se de um grupo de trabalho que atua em seis áreas: financiamento da infraestrutura, mercado de seguros e de previdência, garantias, tributos, modernização dos instrumentos financeiros e melhoria no ambiente de negócios. No total, foram analisadas 15 mudanças dentro deste universo. Dessas, nove foram implementadas integralmente. Quatro foram parcialmente introduzidas e somente duas ficaram para o exercício 2020/2021.

As mudanças são elaboradas por equipes técnicas que avaliam as diversas propostas e consolidam-nas em um documentos apresentados ao colegiado presidido por Roberto Campos Neto, do Banco Central. “Em algumas vezes, é difícil chegar à redação de uma proposta final”, diz Júlio Cesar Costa Pinto, diretor de programas da Secretaria Especial de Fazenda e coordenador do IMK. “Mas na maioria das ocasiões, todos os integrantes estão de acordo logo no início do processo sobre quais devem ser as mudanças necessárias”.

Na agenda de 2020/2021, há também quinze itens de trabalho. E um deles chama a atenção, sobre o mercado de resseguros. A ideia, que veio da Susep, é a de que esse mercado tenha melhores condições de exportar serviços – ou seja, possa vender contratos no exterior, em especial na América Latina. Para isso, no entanto, o IMK trabalha para turbinar a capacidade competitiva do setor no Brasil, que hoje abriga cerca de 15 resseguradoras.

Um dos maiores desafios, neste sentido, é deixar as apólices brasileiras no mesmo patamar fiscal que as internacionais. Os contratos brasileiros, por exemplo, são taxados em aproximadamente 40 % sobre o lucro líquido. Na Inglaterra, apenas a título de comparação, a alíquota total não chega a 20 %. Mas a Receita Federal aceitaria abrir mão de metade de seus recolhimentos? “Com essas mudanças, as empresas brasileiras deverão obter um número muito maior de contratos e a arrecadação total deve até aumentar”, afirma Vinicius Brandi, diretor técnico da Susep, o órgão que regula o mercado segurador.

Iniciativas como essas são necessárias e não podem ficar restritas ao mercado de capitais. Depois de muitos anos de atraso, precisamos aproveitar o momento de reconstrução que haverá nos meses pós-pandemia para tentar retirar todo o lixo que foi varrido para debaixo do tapete nos últimos anos.

A tentativa de se criar governos de coalizão, no passado, acabou propiciando soluções que não mexiam fortemente nos problemas estruturais brasileiros em nome da estabilidade política. Hoje, entretanto, precisamos modernizar rapidamente o Estado, reduzindo seu tamanho e interferência excessiva na iniciativa privada. Com isso, poderemos reduzir a carga tributária de pessoas físicas e jurídicas, o que causará maiores investimentos produtivos e um crescimento significativo no consumo e na poupança nacional. Além disso, necessitamos alinhar os demais poderes para evitar a instabilidade jurídica e criar aquilo que os empresários mais sonham – um mínimo de previsibilidade.

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Economia

Dólar recua após Gilead afirmar que remédio teve eficácia contra Covid-19

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Segundo farmacêutica, remdesivir reduz em até 62% chance de mortalidade por coronavírus

Dólar: moeda americana deve fechar semana em alta contra o real (Pixabay/Reprodução)

O dólar recua na tarde desta sexta-feira, 9, refletindo o otimismo dos investidores com o anúncio da Gilead de que seu medicamento remdesivir teve eficácia contra o coronavírus. Segundo a farmacêutica, o remédio reduziu a mortalidade da Covid-19 em 62%.

Às 16h10, o dólar comercial permanecia caía 0,4% e era vendido por 5,322 reais. O dólar turismo, com menor liquidez, recuava 0,5%, cotado a 5,61 reais.

“A eficácia do remédio reduz a chance de o sistema de saúde colapsar. O pessoal também perde o medo sair de casa, o que ajuda a economia a voltar mais rápido”, comentou Bruno Lima, analista de renda variável da Exame Research. Nos EUA, o medicamento, ainda em fase experimental, teve seu uso autorizado pelo órgão fiscalizador (FDA, na sigla) para casos graves de Covid-19.

No exterior, o dólar também se desvaloriza em relação a algumas moedas emergentes, como o peso mexicano e o rublo russo.

Apesar tom positivo no mercado de câmbio, pela manhã, o dólar abriu em alta contra o real, com  a aior aversão a risco, após os Estados Unidos voltarem a registrar novo recorde diário de casos de coronavírus

De acordo com o The Wall Street Journal, os novos casos de coronavírus registrados em um único dia superaram 63.000. Por lá, hospitais de estados, como Texas e Califórnia, enfrentam dificuldades para acomodar novos pacientes. Ao todo, o país já tem mais de 3,1 milhões infectados e 133.291 mortos pela doença, segundo dados da Universidade Johns Hopkins.

Os investidores temem que o contínuo avanço do coronavírus nos Estados Unidos prejudique a recuperação econômica, conforme processos de reabertura são adiados em estados mais atingidos pelo vírus.

No cenário interno, as atenções se voltaram ao do IPCA de junho, que ficou em 0,26%, levemente abaixo das projeções de mercado de alta de 0,29% em relação ao mês anterior. Já dados sobre o setor de serviços ficaram muito abaixo do esperado, apontando para uma contração de 0,9% em maio contra o mês anterior. A expectativa era de uma expansão de 5,2%.

“O resultado de serviços tira o peso da probabilidade de manutenção do juro na próxima reunião do Copom. Mas até lá ainda teremos dados do mercado de trabalho brasileiro, que será fundamental para a decisão. Hoje ainda vemos um corte de 0,25 ponto percentual”, afirmou Arthur Mota, economista da Exame Research.

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Economia

Câmara aprova MP de crédito para MEI e microempresa através de maquininha

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MP também mantém programa de R$ 20 bi para empréstimos a empresas que faturam até R$ 300 milhões

Maquininha: proposta inclui a possibilidade de que MEI e pequenos negócios tomem empréstimos por meio de maquininhas de cartão (boonchai wedmakawand/Getty Images)

A Câmara dos Deputados aprovou nesta quinta-feira o texto-base da medida provisória (MP) 975, de incentivo ao crédito durante a crise do coronavírus. O texto ainda precisa ser analisado pelo Senado.

A proposta inclui a possibilidade de que microempreendedores individuais (MEI) e pequenos negócios tomem empréstimos por meio de maquininhas de cartão.

A medida foi editada pelo governo no início de junho e, originalmente, previa apenas um programa de crédito para empresas com faturamento entre R$ 360 mil a R$ 300 milhões, por meio de um fundo de R$ 20 bilhoes.

A Câmara manteve essa modalidade, mas inseriu no texto a modalidade aos negócios de menor porte. O crédito aos pequenos foi incluído pelo relator do texto na Câmara, Efraim Filho (DEM-PB).

A nova modalidade permite que MEIs, microempresas e empresas de pequeno porte contratem financiamentos diretamente nas maquininhas.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou que a mudança melhorou o texto.

“(A MP) não veio completa. Agora, com o deputado Efraim, governo e equipe construíram um texto muito positivo, entraram no microcrédito com máquinas (de cartão)” — afirmou Maia, durante conversa com investidores transmitida ao vivo.

Para o parlamentar, a medida precisava focar no crédito aos pequenos: “Demos solução junto com o BNDES para problemas jurídicos de ajuda a grandes empresas. Pelo que ouvi de ex-presidente do BC (Banco Central) a matéria ficou muito boa e, aprovada, vai enfim garantir – e essa foi a grande preocupação – crédito pro pequeno micro e médio empresário”.

A medida também é bem avaliada pela equipe econômia. Em entrevista ao GLOBO, o assessor especial do Ministério da Economia, Guilherme Afif Domingos, afirmou que a ideia pode ter ‘vindo para ficar’.

Regras do programa

O novo sistema com maquininhas permite que vendas futuras feitas por meio dos aparelhos funcionarão de garantia para os empréstimos. A taxa de juros será de até 6% ao ano e o limite de cada operação será de R$ 50 mil.

O prazo para começar a pagar as parcelas será de seis meses. Tomadores terão até 36 meses para quitar o financiamento, incluindo a carência.

A medida prevê um aporte de R$ 10 bilhões do Tesouro Nacional, que deverão ser repassados ao BNDES, que será responsável por coordenar o programa.

Para participar do programa, interessados devem ter vendido bens ou prestado serviços por meio das maquininhas em pelo menos um dos meses entre janeiro e março. Além disso, não podem ter comprometido vendas futuras como garantia para outras operações de crédito.

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Inflação interrompe dois meses seguidos de queda e sobe 0,26% em junho

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Alimentos foram a maior fonte de pressão junto a combustíveis, que subiram após apresentarem quedas nos últimos quatro meses, em especial da gasolina

Pedestre usando máscara protetora passa por pessoas sentadas em um restaurante no bairro Vila Madalena, em São Paulo. Segunda-feira, 6 de julho de 2020. (Jonne Roriz/Getty Images)

A inflação no Brasil interrompeu dois meses seguidos de queda com variação de  0,26% em junho, de acordo com dados divulgados nesta sexta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A taxa medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) veio levemente abaixo da expectativa do mercado (0,29%). Com o resultado, o índice reverteu tendência de queda que vem sendo registrada desde o início do ano.

No acumulado de 12 meses até junho, o IPCA teve alta de 2,13%, bem abaixo da meta de inflação de 4% do governo para 2020, que tem tolerância de 1,5 ponto percentual baixo (2,5%) ou para cima (4,5%). No ano, o índice acumula alta de 0,10%.

Alimentos e combustíveis foram a maior fonte de pressão. Os combustíveis tiveram aumento em junho depois de quedas nos últimos quatro meses, em especial da gasolina, que teve o maior impacto individual (0,14 p.p.), com alta de 3,24%, disse o instituto. E a expectativa é que essa tendência siga sendo vista nos próximos meses:

“Esperamos que a recuperação dos preços internacionais do petróleo, bem como a recomposição da demanda chinesa por carnes continuem a impactar os preços ao consumidor no curto prazo”, diz a consultoria 4E em relatório.

O dado dá um sinal ao mercado sobre os próximos passos da política monetária do Banco Central. Nesta semana, Roberto Campos Neto, presidente da instituição, disse que o impacto da atividade econômica no índice será determinante para decidir sobre outro corte na taxa básica.

Os sinais de que o pior da crise ficou para os meses de abril e que o ritmo de retomada tem aumentado – sobretudo após o relaxamento das medidas de distanciamento social. -, foi visto também no estirão do varejo de 14% em maio, anunciado nesta semana, e na indústria, apesar da base de comparação baixa.

Para o fim de 2020, a expectativa do mercado medida pelo Boletim Focus aponta para inflação de 1,63% em 2020 e de 3% em 2021.

Mesmo com o sinal de aceleração e perspectivas positivas para os preços no curto prazo, no entanto, as perspectivas para o crescimento da economia ainda são muito fracas, o que não impediria novos cortes na Selic, apesar de improvável, diz Alberto Ramos, economista-chefe paraAmérica Latina do Goldman Sachs, em relatório:

“Preocupações com a dinâmica cambial, fluxos de capital, pressões entre fundos de renda fixa, risco político e fiscal de médio prazo e o fato de a taxa já estar em um nível acomodatício sem precedentes podem limitar severamente (ou até eliminar) as possibilidades de flexibilização adicional”, diz.

Grupos

Sete dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados pelo IBGE apresentaram alta no mês, com destaque para Transportes, que vinham apresentando queda há quatro meses e em junho deram a segunda maior contribuição para a alta do índice, de 0,06 pontos porcentuais (veja na tabela).

O movimento do setor está intimamente ligado com a alta de preços dos combustíveis, que chegou nas bombas e impactou o consumidor final, explica Pedro Kislanov, gerente da pesquisa, no material de divulgação.

A principal contribuição para a alta do IPCA foi do grupo Alimentos e bebidas (0,38%), que vem apresentando aumentos em função da demanda elevada durante a pandemia, quando a atenção do consumidor esteve mais voltada para a compra de produtos essenciais. Em maio, o segmento já havia subido 0,24%. Além disso, a política de isolamento fez com que mais pessoas cozinhase em casa.

O item consumo no domicílio passou de 0,33% em maio para 0,45% em junho, pressionado por esse movimento e influenciado sobretudo pelos preços das carnes (1,19%) e do leite (2,33%).

Outro grupo que apresentou alta foi o Saúde e cuidados pessoais (0,35%). No lado das quedas, o instituto destaca a variação de Vestuário (-0,46%), que contribuiu com -0,02 p.p. no índice de junho.

Variação em maio (%) Variação em junho (%)
Índice Geral -0.38 0.26
Alimentação e Bebidas 0.24 0.38
Habitação -0.25 0.04
Artigos de Residência 0.58 1.3
Vestuário -0.58 -0.46
Transportes -1.9 0.31
Saúde e Cuidados Pessoais -0.1 0.35
Despesas Pessoais -0.04 -0.05
Educação 0.02 0.05
Comunicação 0.24 0.75
Impacto em maio (%) Impacto em junho (%)
Índice Geral -0.38 0.26
Alimentação e Bebidas 0.05 0.08
Habitação -0.04 0.01
Artigos de Residência 0.02 0.05
Vestuário -0.03 -0.02
Transportes -0.38 0.06
Saúde e Cuidados Pessoais -0.01 0.05
Despesas Pessoais 0 -0.01
Educação 0 0
Comunicação 0.01 0.04

(Com a colaboração de Alex Halpern)

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Economia

Apesar da alta em junho, cenário para inflação segue benigno, avalia Itaú

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O Itaú segue vendo IPCA de 1,8% em 2020 e de 2,8% em 2021, taxas bem abaixo da meta perseguida pelo BC

Inflação; consumo; consumidores (NurPhoto/Corbis/Getty Images)

O cenário para a inflação segue benigno apesar de recentes leituras mais altas, afirmou nesta sexta-feira Julia Araujo, economista sênior do Itaú Unibanco, lembrando que o banco segue prevendo inflação abaixo da meta tanto para este ano quanto para o próximo.

Os preços ao consumidor medidos pelo IPCA subiram 0,26% em junho, após queda de 0,38% em maio –esta a mais intensa deflação em 22 anos–, mostraram dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira.

O IPCA-15 subiu 0,02% em junho, após recuo de 0,59% em maio.

“Você volta a ver inflação mais positiva, mas esse movimento está muito mais relacionado a itens fora do núcleo, como combustíveis e alimentação”, disse a economista.

Os preços dos combustíveis subiram 3,37% em junho, após queda de 4,56% em maio, enquanto os custos com alimentação e bebidas aumentaram 0,38%, acelerando ante acréscimo de 0,24% um mês antes.

“Apesar das oscilações do IPCA fechado, a gente vê medidas do núcleo ficando baixas”, disse Araujo, citando que o índice IPCA-EX3 –que agrega apenas os itens selecionados de serviços e bens industriais– teve variação negativa de 0,02% em junho.

O Itaú segue vendo IPCA de 1,8% em 2020 e de 2,8% em 2021, taxas bem abaixo da meta perseguida pelo BC em cada um desses anos –de ​4% e 3,75%, respectivamente.

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segunda-feira, 13 de julho de 2020

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