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segunda-feira, 08/06/2026

Governo Lula planeja acabar com fila do INSS antes das eleições

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Em Brasília

IDIANA TOMAZELLI
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)

O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deseja eliminar os pedidos acumulados no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) até o final de setembro, exatamente antes das eleições presidenciais. A previsão é resolver os processos que estão parados para análise há mais de 45 dias.

Embora um representante do governo afirme que não há intenção eleitoral nessa medida, ele admite que existe a preocupação de evitar que a oposição use esse tema para prejudicar a imagem do presidente.

Assistentes de Lula esperam que o escândalo dos descontos ilegais em aposentadorias e pensões seja usado por adversários para tentar impedir sua reeleição, mesmo com o governo já tendo pago R$ 3,3 bilhões para ressarcir os afetados.

Por isso, é importante para o governo resolver a situação da fila como uma estratégia para mostrar um lado positivo durante a campanha.

Em maio, a fila tinha 2,2 milhões de pedidos, dos quais 926 mil estavam dentro do prazo normal de 45 dias para avaliação pelo INSS. Outros 500 mil aguardavam informações adicionais dos segurados.

No total, os pedidos atrasados eram 765 mil — esse é considerado o verdadeiro atraso e o que o governo quer zerar dentro de quatro meses.

Em janeiro, a fila total era de 3,1 milhões, com 1,9 milhão pedindo resposta há mais de 45 dias. Desde então, o volume atrasado tem diminuído cerca de 280 mil por mês.

Se mantiver esse ritmo, o governo acredita poder eliminar a fila até setembro. O que sobrar será o número normal de pedidos que chegam e são analisados sem atraso.

Reduzir a fila virou uma prioridade neste ano após o acúmulo recorde de pedidos, maior até que na gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), quando chegou a 2 milhões.

Essa situação alertou o governo por ser um problema para a campanha de Lula, que começou o mandato criticando a administração anterior e prometendo resolver a fila.

Em abril, Lula trocou o presidente do INSS, afastando Gilberto Waller Júnior, que havia assumido o órgão em abril de 2025, após a Operação Sem Desconto, que investiga fraudes nos descontos associativos.

Com o fim da CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) sobre o caso em março, o governo decidiu mudar a gestão e focar na redução da fila. A atual presidente do INSS é Ana Cristina Viana Silveira, servidora de carreira do seguro social.

Após a mudança, o governo aumentou recursos para pagar bônus a servidores do INSS e da perícia médica, que recebem extra por análise adicional feita, acelerando a liberação dos benefícios e diminuindo o estoque.

Em coletiva em maio, o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, afirmou que o governo reservará R$ 300 milhões para esses bônus até o fim do ano.

Com essa aceleração, aprovações de benefícios cresceram: em março foram 886 mil, alta de 54% em relação a março de 2025; em abril, mais 739 mil, aumento de 5,7% na mesma comparação.

Embora a redução da fila seja positiva politicamente, traz pressão maior para o orçamento.

Em maio, o governo bloqueou R$ 22,1 bilhões das despesas para compensar gastos maiores com Previdência Social e BPC (Benefício de Prestação Continuada), pago a idosos e pessoas com deficiência de baixa renda.

O bloqueio afetou ministérios como Defesa, Cidades e Educação, além de travar R$ 4,6 bilhões em emendas parlamentares usadas para ações eleitorais.

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