Por Esther Santos, Giovanna Gimenez e Nathaly Ferreira
Buscando independência e transformando paixões em negócios, jovens mulheres no Distrito Federal enfrentam o desemprego e a desigualdade de gênero com empreendedorismo.
Segundo o Sebrae, o Brasil está entre os países com mais mulheres empreendedoras, representando 46% das empresas. No DF, 35% dos negócios em 2022 eram liderados por mulheres, mostrando que o empreendedorismo feminino é uma forma de mudar vidas e alcançar autonomia financeira.
Entre 2012 e 2024, o número de mulheres empreendedoras no Brasil cresceu 42%, segundo o Sebrae.
Oficina mecânica
Em um ambiente tradicionalmente masculino, uma mulher administra sua oficina mecânica, quebrando estereótipos. Agda Óliver, 44 anos, enfrentou dificuldades quando comprou seu primeiro carro por falta de conhecimento e decidiu mudar isso criando a primeira oficina para mulheres, a Meu Mecânico – Oficina da Mulher, em 2010.
Agda buscou aprendizado por meio do Sebrae, cursos de gestão, uma segunda graduação em Tecnologia da Informação e Gestão Empresarial, além de formação técnica em mecânica pelo Senai, unindo técnica e administração para prosperar.
Desafios
Além de falta de apoio familiar e referências femininas, Agda enfrenta preconceito por atuar em uma área dominada por homens, tendo que provar sua competência constantemente.
Ela relata que no início, clientes preferiam falar com homens e duvidavam de sua capacidade, mas isso apenas a motivou a seguir em frente para mostrar que mulheres podem atuar em qualquer profissão.
Reconhecimentos
Por sua dedicação, Agda recebeu títulos importantes, como Empreendedora Destaque pelo Sebrae-DF em 2011 e 2012, o Prêmio Nacional Sebrae Mulher de Negócios em 2013, e foi finalista do Empretec Women in Business Awards da ONU em 2020 — a primeira brasileira entre as top 10 empreendedoras inspiradoras do mundo.
Sua oficina atende cerca de 300 clientes por mês, incluindo mulheres, pessoas LGBTQIA+ e idosos, e promove workshops exclusivos para mulheres, incentivando autonomia e conhecimento na manutenção dos carros.
Salão criativo
Na Asa Norte, o salão “Que Beleza” combina nostalgia, estilo e criatividade. Criado por Bruna Carone, 33 anos, e Julia Roseo, 32 anos, o salão é mais do que um lugar para cuidar da beleza; é um ambiente de convivência com drinks e eventos.
O salão nasceu de um grupo de amigos e da união entre as sócias, que mesmo com pouca experiência apostam na prática como melhor forma de aprender e crescer.
Opiniões
Julia afirma que a prática diária é a maior escola do empreendedorismo, e destaca a importância de estar sempre ativa e buscando soluções criativas.
Parceria e crescimento
Julia, formada em jornalismo, iniciou sua jornada empreendedora em 2015 com uma barbearia e em 2019 decidiu investir em um salão que oferecesse uma experiência única para mulheres.
Bruna, após encerrar um negócio de roupas, uniu forças com Julia para abrir o salão, enfrentando os desafios da pandemia, mas mantendo o foco no sucesso do empreendimento.
Bruna ressalta que no empreendedorismo é preciso estar sempre em movimento, desenhando novas oportunidades.
Confeitaria
A pandemia também inspirou Mônica Aras, 42 anos, a descobrir a confeitaria, transformando um hobby em carreira.
Incentivada pelo marido, Mônica fez um curso de confeitaria e se especializou na pavlova, sobremesa australiana que virou sua marca registrada.
Com o sucesso nas redes sociais, ela começou a aceitar encomendas para retirada em casa, o que se tornou difícil, pois o lar virou local de trabalho.
Em 2023, ela inaugurou a Ballerina, uma confeitaria especializada em pavlova em Brasília, inicialmente como uma dark kitchen, que evoluiu para uma loja completa com equipe e espaço para clientes.

