17.8 C
Brasília
domingo, 07/06/2026

Lucro das aéreas deve cair pela metade em 2026, diz associação

Brasília
nuvens dispersas
17.8 ° C
17.8 °
17.8 °
68 %
2.2kmh
32 %
seg
27 °
ter
28 °
qua
29 °
qui
23 °
sex
18 °

Em Brasília

PAULO RICARDO MARTINS
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS)

O lucro das companhias aéreas vai cair para US$ 23 bilhões (cerca de R$ 119 bilhões) em 2026, de acordo com a previsão da Iata (Associação Internacional de Transporte Aéreo), apresentada durante a 82ª Assembleia-Geral anual da entidade, realizada no Rio de Janeiro.

Esse valor representa metade do lucro esperado para 2025, que é de US$ 45 bilhões. Antes, a previsão para 2026 era de US$ 41 bilhões, considerando companhias de todas as partes do mundo.

Segundo Willie Walsh, diretor-geral da Iata, as empresas aéreas estão sendo afetadas pela guerra no Irã e pelo aumento do preço do combustível.

“Os resultados financeiros estão sofrendo por causa da alta rápida de 70% no preço do combustível de aviação. Parte desses custos está sendo compensada pelo aumento dos preços das passagens e pela eficiência, mas isso não será suficiente para manter os lucros nos níveis do ano passado”, afirmou Walsh.

Ele destacou que companhias menores, que já estão financeiramente frágeis, estão enfrentando ainda mais dificuldades. “Todas as regiões ainda têm resultados positivos, mas com desempenho financeiro bem menor.”

A exceção são as companhias aéreas do Oriente Médio, que enfrentam um cenário pior.

“As empresas do Golfo estão lidando com incertezas depois do quase total fechamento do espaço aéreo no início da guerra. Elas fazem um esforço enorme para manter os voos, mas as perdas financeiras são inevitáveis”, disse Walsh.

A previsão da Iata indica que a margem líquida de lucro das aéreas será de 2,0% em 2026, quase metade dos 3,9% previstos antes. Este número também é menos da metade dos 4,2% esperados para 2025.

O lucro por passageiro deve ser de US$ 4,50, metade dos US$ 9,10 de 2025.

Além disso, o lucro operacional total deve cair mais de 37%, chegando a US$ 48 bilhões, com margem operacional de 4,1%, contra 7,2% em 2025.

A taxa de retorno sobre o capital investido será de 4,3%, menor que o custo médio do capital, que é 8,5%, mostrando a fragilidade financeira do setor, segundo a associação.

Apesar das dificuldades, o uso dos assentos nos aviões deve continuar a bater recordes, com uma ocupação média de 84%, acima dos 83,5% de 2025.

O número de passageiros deve chegar a 5,1 bilhões em 2026, um aumento de 2,4% em relação ao ano anterior.

América Latina pode ter queda maior

Na América Latina, o lucro das aéreas deve ser de US$ 1,2 bilhão em 2026, uma queda de quase 37% em relação a 2025. A margem líquida deve cair de 3,8% para 2,1%.

As condições no mercado latino-americano são mais difíceis, com menor renda e menos viagens de negócios, o que afeta a demanda por aviões.

“As aéreas latino-americanas normalmente têm menos flexibilidade financeira e custos maiores para empréstimos, o que dificulta enfrentar choques ou investir em crescimento”, diz a Iata. Isso limita a capacidade das empresas de reagir rapidamente a mudanças na demanda ou nos custos.

Por isso, a região deve enfrentar uma desaceleração maior no crescimento, mesmo se a demanda continuar positiva.

Veja Também