PAULO RICARDO MARTINS
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS)
O chefe da Iata (Associação Internacional do Transporte Aéreo), Willie Walsh, disse neste domingo (7) que o setor aéreo mundial não está no caminho certo para zerar as emissões de carbono até 2050.
Willie Walsh afirmou que alcançar essa meta ainda é possível, mas todas as partes da indústria — não só as companhias aéreas — precisam agir, e não apenas prometer que estão comprometidas.
A Iata está realizando sua Reunião Geral Anual (AGM) no Rio de Janeiro neste fim de semana, o que acontece na América do Sul depois de 27 anos.
Em 2021, durante a 77ª Assembleia Geral em Boston (EUA), a Iata aprovou uma resolução na qual as companhias aéreas membros se comprometeram a zerar as emissões de carbono até 2050, alinhada às metas do Acordo de Paris.
No entanto, para atingir esse objetivo, a Iata diz que é preciso um esforço conjunto de toda a indústria — companhias aéreas, aeroportos, controle de tráfego aéreo e fabricantes — além do apoio dos governos.
Willie Walsh destacou que o atraso na entrega de aviões novos, que poluem menos, e a pouca disponibilidade de combustível sustentável para aviação são obstáculos para alcançar a meta.
“Estamos desapontados, principalmente com os fabricantes de aviões, que atrasam a entrega de novas aeronaves, o que mantém as emissões maiores do que deveriam ser e aumenta a diferença em relação à meta”, afirmou Walsh.
“Também sentimos falta de uma modernização dos sistemas de controle aéreo global, que poderia reduzir bastante as emissões. E as empresas de combustível sustentável não estão cumprindo suas promessas”, completou.
No evento da Iata, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) afirmou que o Brasil tem uma posição única para liderar a produção de combustível sustentável para aviação.
“O Brasil tem uma vantagem no debate. Somos grandes produtores de biocombustíveis”, disse Alckmin. “Podemos ser uma potência verde com capacidade industrial para transformar recursos naturais em soluções para o mundo.”

