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segunda-feira, 08/06/2026

PF intensifica combate ao tráfico do PCC na Europa e UE busca mais cooperação

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Guilherme Pimenta
Bruxelas, Bélgica (FolhaPress)

A União Europeia deseja fortalecer a parceria com países da América do Sul para enfrentar o crime organizado. O continente sul-americano é um dos principais destinos das drogas traficadas pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) e pelo Comando Vermelho (CV) para o mercado europeu.

Para contribuir com essa colaboração, a Polícia Federal do Brasil abriu em 2025 uma representação em Bruxelas, liderada pelo delegado Guilherme Monseff de Biagi.

Essa equipe foca nas investigações do tráfico nos portos de Antuérpia, na Bélgica, e Roterdã, na Holanda, que são as rotas principais por onde chegam as drogas enviadas desde os portos brasileiros, especialmente o de Santos.

Autoridades europeias comentaram que o combate ao crime na América Latina depende do fortalecimento das instituições, da cooperação regional e internacional, além da integração entre órgãos de segurança e justiça.

Em entrevista à Folha, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, informou que planeja abrir novas representações na Holanda para atuar no porto de Roterdã, além de uma presença na Suíça e na Alemanha.

“Essas iniciativas fazem parte da estratégia de cooperação internacional, prisão de líderes e enfraquecimento econômico das facções criminais”, afirmou Andrei Rodrigues.

O delegado em Bruxelas mantém contato constante com autoridades da União Europeia, reforçando que a presença física é essencial para o sucesso das operações.

Os Estados Unidos recentes classificaram o PCC e o CV como organizações terroristas, após reuniões do pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro com integrantes do governo Trump.

Apesar de divergências europeias quanto a essa classificação, há preocupação com a expansão das redes criminosas sul-americanas e seu aumento nas rotas de tráfico para a Europa.

As organizações criminosas já atuam em cerca de 30 países, e na Europa o tráfico acontece tanto diretamente quanto via norte da África.

Embora a cooperação tenha avançado, ela ainda enfrenta desafios operacionais e institucionais, conforme autoridades brasileiras.

Este tema foi destaque na cúpula entre União Europeia e Celac realizada em Santa Marta, Colômbia, em novembro de 2025, onde foi aprovada uma declaração conjunta de segurança para combater narcotráfico, lavagem de dinheiro e crime organizado.

O fortalecimento da Ameripol (Comunidade de Polícia das Américas) é considerado crucial para ampliar a cooperação com a Europol.

Espera-se que com a entrada em vigor do Tratado de Brasília, a Ameripol obtenha personalidade jurídica internacional, facilitando o intercâmbio de informações e colaboração policial entre as Américas e Europa.

Até agora, apenas o Equador e o Chile ratificaram o tratado, e no Brasil o processo está tramitando para aprovação pelo Congresso.

O acordo recém-assinado entre Mercosul e União Europeia também contempla cooperação política e institucional, com foco em segurança pública, combate ao crime organizado, corrupção, lavagem de dinheiro e tráfico de pessoas.

Esse acordo visa criar mecanismos permanentes de diálogo, coordenação e intercâmbio entre autoridades policiais e judiciais dos blocos, além de promover projetos financiados pela Europa.

A visão europeia para o enfrentamento das organizações criminosas é baseada na cooperação e inteligência, sem operações militares presenciais, respeitando a soberania e normas internacionais.

Além dos meios tradicionais, autoridades europeias notaram o aumento do uso de submarinos para transporte de drogas, embarcações que podem ser construídas rapidamente e com baixo custo.

Um exemplo de cooperação foi a Operação Centinela, promovida pelo Comitê Latino-Americano de Segurança Interna com apoio da União Europeia.

Em dezembro de 2024, a operação realizou ações simultâneas contra o tráfico de drogas e o comércio ilegal de armas, resultando em 187 prisões, apreensão de 343 armas e mais de 2.200 itens relacionados a drogas.

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