A troca de advogado do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, pode indicar o início de um acordo de delação premiada. Na quarta-feira, 22 de abril, Cleber Lopes deixou a defesa de Paulo Henrique Costa, que passou a ser assumida por Eugênio Aragão e Davi Tangerino.
Eugênio Aragão foi membro do Ministério Público Federal entre 1987 e 2017, além de ter sido ministro da Justiça no governo da presidente Dilma Rousseff. Ele é reconhecido como especialista em delações premiadas. Davi Tangerino é advogado criminalista com experiência em acordos de leniência, professor de direito penal na UERJ e doutor pela USP.
Paulo Henrique Costa está preso na Papuda, em Brasília, desde 17 de abril, em decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça. Ele é investigado por suspeita de ter combinado receber R$ 146,5 milhões em propina do dono do banco Master, Daniel Vorcaro, para agir conforme os interesses da instituição. O valor seria repassado por meio de imóveis.
Com o possível início das negociações para a delação, Paulo Henrique deve solicitar transferência para a Superintendência da Polícia Federal, em Brasília. A mudança facilitaria o contato dele com as equipes responsáveis pela investigação e a realização de depoimentos.
A delação premiada ocorre quando um investigado decide revelar informações em troca de benefícios na sua pena. Assim, o Estado recebe dados importantes para a investigação, e o acusado pode ter redução da pena ou outras vantagens. Essa prática está prevista por lei desde 2013, sob o nome de colaboração premiada.
