SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) –
O conflito no Oriente Médio, com o Irã lançando mísseis contra Israel e negando negociações com os EUA, mantém o dólar em alta frente às moedas de países emergentes, incluindo o real, nesta terça-feira (24).
Investidores brasileiros também avaliam a ata do último encontro do Banco Central para entender possíveis mudanças na taxa Selic.
Às 10h15, o dólar à vista subia 0,45%, cotado a R$ 5,265. Na segunda-feira, caiu 1,31%, a R$ 5,241, enquanto a Bolsa subiu 3,24%, a 181.931 pontos.
O presidente dos EUA, Donald Trump, adiou ataques a usinas de energia iranianas por cinco dias e indicou negociações com o Irã, o que animou os mercados.
Trump afirmou que os EUA e Irã tiveram conversas produtivas para acabar com as hostilidades na região e está dialogando com uma autoridade iraniana que não é o líder supremo, pedindo que parem de enriquecer urânio.
A chancelaria iraniana disse que Trump tenta ganhar tempo para sua campanha militar, confirma esforços para reduzir tensões, mas só aceitará propostas diretas dos EUA.
Para Otávio Araújo, consultor sênior da ZERO Markets Brasil, a declaração de Trump trouxe alívio aos mercados, reduzindo a pressão sobre o petróleo e o sentimento de risco.
Nas últimas semanas, a tensão entre EUA, Israel e Irã levou investidores a procurar ativos seguros, valorizando dólar e renda fixa.
O índice DXY, que mede o dólar frente a seis moedas fortes, subiu 1,50% desde o início do conflito, enquanto o Ibovespa caiu 3,6%.
Bruno Shahini, especialista da Nomad, comentou que a pausa nos ataques e o avanço nas negociações fizeram o mercado rever o risco de escalada, com o câmbio recuando parte da alta recente.
Há também preocupação com o aumento da inflação caso o conflito persista e o preço do petróleo continue subindo.
Os preços do petróleo dispararam após o fechamento do Estreito de Hormuz, por onde passa cerca de 20% da produção mundial.
Após o anúncio da trégua, o preço do petróleo caiu mais de 13%, para US$ 91,89 (R$ 488,12) às 8h (horário de Brasília).
Ian Lopes, economista da Valor Investimentos, destacou que o mercado se animou com a chance de solução diplomática, o que alivia a pressão inflacionária causada pelo petróleo.
No Brasil, a agenda do dia teve poucos indicadores. Às 10h30, o Banco Central realizou leilão de US$ 2 bilhões para rolar vencimento, vendendo US$ 1,8 bilhão.
Esses leilões aumentam a oferta de dólares, ajudando a reduzir a cotação da moeda.
Também houve suspensão temporária das operações do Tesouro Direto para conter a alta volatilidade dos títulos; o sistema voltou ao ar às 11h15.
